sábado, 18 de outubro de 2008
"Garotos perto de uma mulher são só garotos..."
Creio simplesmente que somos cativos de seus engenhos e maquinações, em suas mãos somos tolos e brincalhões, agimos por instinto e nos deparamos em uma cilada, o cadafalso se abre, mergulhamos em sua teia e isso tudo antes de conseguirmos desviar de seu olhar: penetrante e incompreensível. Por tantos outros enganos acreditei piamente que os olhos fossem janelas para o interior, chaves para o desbloqueio do segredo corporal e obtenção do significado estrutural. Mas meu erro mostrou-se gritante quando percebi que em se tratando de mulheres sabemos somente a localização da porta de entrada, entrada para o labirinto; uma trama que se desenrola em caminhos e becos, fortuitos e convidativos, porém de desfecho inatingível ou inenarrável, um enigma de violação inaudito.
Por todos os séculos da existência humana estivemos a mercê de seu trato, nunca nos obrigarão a nada, mas a deriva de nossas opções as ondas da vontade foram mais fortes e nos trouxeram à sua praia, cuspindo o fel da indecisão nos entregamos às suas delícias. Acredito que por baixo da luta de classes, adjacente a seus diversos setores, nós travamos uma batalha durante todos esses séculos. Construímos as bases da civilité ocidental sobre os instrumentos de controle desta que sempre fora uma ameaça: taxadas de ingênuas e inocentes, eram na verdade dissimuladas e cruéis, utilizaram com destreza suas ferramentas, dotadas pela natureza, comandadas por um gênio inquebrantável nos fizeram tombar frente ao combate corpo a corpo, nossa saída foi o esforço coletivo para o engendramento de uma sociedade onde impomos mecanismos de subordinação - submetidas a estas instituições – as manteremos sob vigília e tardaremos a futura rendição. Quando enfim definharmos baixa por baixa e não podermos mais desfrutar deste imperium masculino poderemos encontrar em seus rostos desafiantes, dignos de admiração, a certeza da derrota, mas por enquanto não, desfilaremos ainda mais nossos sorrisos de satisfação nas mesas de decisão.
Meu principal objetivo nesse texto é registrar algo que eu sempre soube, algo que minhas últimas leituras me fizeram desconstruir e exprimir aqui algo que ainda não nos é evidente o suficiente. Não quero propor aqui, obviamente, uma mudança radical nos damos da humanidade; não quero eliminar, logicamente, a paixão na busca por um coração correspondente (tsc tsc) e não quero, finalmente, instituir um pessimismo excludente, quero somente divulgar um sobreaviso displicente. Quando o tesouro do ifrit revelou: "não há nada que nos empeça do que queremos" ela somente estava conjurando o que todos nós haveremos de saber algum dia, que todas as mulheres são na sua imagem e essência a personificação da perfídia e todas estarão destinadas, se o devir puder, ao décimo segundo círculo do inferno de Dante. Não importa de que maneira se concretize, as mulheres trazem isso por natureza, a traição de projeção voluntária é o guia para as suas atitudes impensadas. Penso mesmo que esse trato seja fruto desse egoísmo que lhe és inerente, não estou objetivando sentimentos humanos, não acredito de forma alguma que o sexo masculino escape dessa mácula, afinal, como poderia a raça humana se refugiar dessas "dádivas" que lhe são inatas? Dessa forma elas sabem, inconscientemente sabem, de seu potencial para o perjúrio e o utilizam inescrupulosamente. Somos, logo, reféns de seus artifícios, em poder das mãos do inimigo sofreremos os males de seu contrato de maneira invariavelmente irreversível. E o que hão de fazer nós os tolos homens? Qualquer resposta além do "nada" seria deveras pretensiosa e mais um desafio lançado à altura deste tempo só lhes faria arrancar escárnios...
A narrativa humana nos mostrou a realidade dos fatos, por mais que os afrescos as pitem como cândidas e doces os eventos históricos comprovam a interferência do dedo feminino no movimento das massas e dos impérios. O que a motivação de uma Joana Dárc não fez contra as tropas inglesas? O que a sedução de uma Cleópatra não fez aos comandantes romanos? E claro, também não posso deixar de ressaltar os efeitos deletérios que agripinas, carlotas e capitus tiveram para a humanidade, os desdobramentos de simples concelhos nos condenaria a séculos de percalços e feridas. Não pretendo a partir de este paragrafo traçar um cronograma das intemperanças de seus atos que com certeza remontaria do Gênese até a nossa contemporaneidade, me seriam indispensáveis novas páginas e outras tantas fontes, mas destacar que quando o senhor Deus dos cristãos disse a Eva após a 'violação': "multiplicarei os sofrimentos de teu parto; dará à luz com dores, teus desejos te impelirão para teu marido e tu estarás sob seu domínio" nossos Deuses já tentavam nos antecipar contra o mal que estaria por vir e nos cediam as primeiras armas.
Meu texto certamente não escapará de ironias, minha intenção, como já foi sublinhado, não é criar um consenso, não pretendo com isso ser decisivo em suas opiniões e definitivamente não quero me enclausurar desta existência mundana, escrevo isso de fato unicamente para preservar na memória mais uma das lições que ainda me ensinou e para ocupar minhas madrugadas desacordadas... Voltando ao ponto de partida quero tecer mais algumas considerações sobre a palavra, se as mulheres são o que são, é porque conhecem a distinção desse instrumento. Já vi muros caírem e se erguerem por simples pronunciamentos; já distingui derrotados e vencedores por meros discursos; já tive vontade de matar pessoas por tolas frases impertinentes. Esse texto acaba não só sendo por 'elas' mas também por este substantivo feminino, no entanto este tema merece um post independente e por isso ficarei por estas linhas desejando algum dia não me sentir traído quando me referir a elas, às amazonas desumanas e depravadas!
Sinto que ainda tinha tanto a escrever sobre isso...
sábado, 27 de setembro de 2008
Máximas
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Monochrome
Anything it's the same circle
That leads to nowhere and I'm tired now.
Anyway, I've lost my face,
My dignity, my look,
Everything is gone
And I'm tired now.
But don't be scared,
I found a good job and I go to work
Every day on my old bicycle you loved.
I am pilling up some unread books under my bed
And I really think I'll never read again.
No concentration,
Just a white disorder
Everywhere around me,
You know I'm so tired now.
But don't worry
I often go to dinners and parties
With some old friends who care for me,
Take me back home and stay.
Monochrome floors, monochrome walls,
Only absence near me,
Nothing but silence around me.
Monochrome flat, monochrome life,
Only absence near me,
Nothing but silence around me.
Sometimes I search an event
Or something to remind,
But I've really got nothing in mind.
Sometimes I open the windows
And listen people walking in the down streets.
There is a life out there."
Melodia tão penetrante! Ah, vida tão massante, monocromática..
sábado, 13 de setembro de 2008
Diálogos
- É, tens razão...
- Qual o nome da música?!
- Sampa, mas a frase é de Podres Poderes, HA!
- Não é não!
- Ah é, tens razão.
haha
Como eu amo conversar com essa garota! Percebi algo que já pensava sobre, afinal o Dali está não esta ai por acaso..
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
No mundo não há pessoas como eu, há sim, pessoas que não se interessam pelo que eu sou.
Deveras, amo as madrugadas! Quando as luzes minguam, quando as pessoas que desfrutam de uma vida de verdade ou não vão dormir, quando o tempo silencia e as minhas confidências começam... Estava pensando nisso, conversando com um amigo, certos questionamentos afloraram; exatamente sobre isso: o ato de confessar. Obviamente que não começarei aqui a explanar sobre meus segredos mais íntimos (mais pessoas do que eu pensava lêem isso aqui), infelizmente a experiência me ensinou o quão contra-indicado isto é; portanto não é sobre o que confessar e sim sobre o ato em si que quero falar. Confissão é uma forma de expressão e o que é expressão? Segundo o dicionário é o ato de expressar-se; dar a entender, dar a conhecer algo, revelar, logo, expressar significar, antes de tudo, tornar conhecido algo. Para mim isso quase sempre foi tornar sabido algo que se pretendia esconder, sendo assim, chegamos ao cerne do texto e não ao seu fim como minhas pálpebras gostariam... No final eu nunca vou chegar à certeza, vou sempre me refugiar na duvida e todo esse inquerimento etimológico só vai servir pra eu descobrir o que eu já sei: eu vou ser sempre aquele mesmo garoto...
Por que é tão difícil para eu expor algo que sinto, de fato, nem é tudo, algumas coisas largo a público com a maior facilidade, porém quase sempre são resultados da minha insatisfação, do meu egoísmo, da minha inconstância, em suma daquilo que mais vil os seres humanos tem a oferecer. E todo resto, vcs perguntam, pra onde vai? Eu guardo, eu reprimo, eu esqueço; a última “opção” é com certeza a mais difícil, em função, claro, dessa memória prodigiosa para reminiscências ingratas da qual eu fui dotado e para a qual a ação de recordar é involuntária. Então da mesma forma que se lembrar me é doloroso, compartilhar com os outros me parece mil vezes pior, mesmo assim sinto necessidade do mesmo. Este blog é uma resposta para isso, uma válvula de escape que pretendo eu, me fará suportar mais alguns anos sem enlouquecer. Talvez esse seja o meu fim mais certo e seria nobre da minha parte aceita-lo de vez, mas eu não posso viver só de talvezes.
Será que alguém pode viver assim, se escondendo? Eu sou o eterno curioso, dono das mil críticas, me conhecer significa me ouvir reclamar. Já exaltaram essa qualidade em mim e eu insisto em credita-la como benéfica, enxergar nela um caminho para soluções, inshallah! Mas tudo isso é sobre o mundo no qual eu vivo: meu persistente debate com o externo, mas minha primeira impressão já deixa isso patente, às vezes até de forma rude eu marco minha presença, no entanto, não é isso neste instante o que me inculca. Talvez essa dissimulação seja nada mais do que minha tendência natural para demover meu coração destas intenções; aparecer em público, para ele, é impensável. Discorrer sobre um labirinto onde o fio de Ariadne não vai me salvar; nada, não vejo luz nem mesmo na penumbra dessas linhas reticentes-linhas reticentes...
O que me incomoda? Será a vulnerabilidade do confessionário, será o sossego do ouvinte, será o descompromisso das más línguas? Tenho tantas memórias lúcidas a relatar, tantos traumas a entronizar, tantas improbidades a comungar; não posso começar com a certeza que carrego, da agonia e da tortura em sentir o ressentimento por um feito impensado! Oh, eterna desventura de viver, só é preciso traquejo social, dizem, ham. Dói; eu juro sobre a contundência dessa ferida, não consigo e não quero tentar! Mortificar a alma, uma existência ascética talvez me fizesse eliminar o desejo, afinal é ele que move as ações humanas, não?
Uma vez eu disse pra mim mesmo, estar com outra pessoa é a possibilidade de contar com alguém para descarregar todas as verdades e até hoje não encontrei a tal criatura, deve estar aonde eu menos imagino, onde eu nunca vou encontrar; no mundo não há pessoas como eu, há sim, pessoas que não se interessam pelo que eu sou. Ainda não encontrei meu caminho-ainda não encontrei meu caminho-ainda não encontrei meu caminho...
domingo, 7 de setembro de 2008
"Labirinto"
-"O único jeito de sair daqui é tentando uma dessas portas, uma delas te leva ao centro do labirinto aonde se encontra o castelo e a outra para a morte certa.. uuuhh .(cabeças de baixo iniciam o alerta)
- E qual delas é o que ?
- Ah, eu não posso dizer.
- Por que não ?
- Ah, olha.. Não sabemos. Mas eles sabem !(passam o jogo para as cabeças de cima)
- Ah, então eu pergunto a elas..
- Err, não pode perguntar a nós, só pode perguntar a um de nós ... (vermelho falando)
- São as regras e eu devo avisar que um de nós sempre diz a verdade e outro sempre mente, também são as regras. Ele sempre mente!(azul completa apontando para o vermelho)
- Eu não, eu digo a verdade!
- Ah, que mentira..
- Tabom, responde sim ou não. Ele me diria que essa porta leva ao castelo ?(garota perguntando para o vermelho e apontando para a porta a direita)
- Sim.
- Então a outra porta leva ao castelo e essa à morte certa!
- Ohhhh, como vc sabe? Ele pode estar falando a verdade...(vermelho retruca)
- Mas vc estaria mentindo, então se vc me disse que ele diria sim, é não.
- Mas eu posso estar falando a verdade.
- Ai ele que estaria mentindo, então se vc me disse que ele diria sim, eu sei que a resposta seria não..
- Pera ai, será que isso tá certo ?(vermlho pergunta para o azul)
- Eu não sei.. eu não intendi absolutamente nada!
- hahahahha .(coro das cabeças)
- Não, está certo. Eu descobri!"
haha
Muito bom!
Película ensaia o embate entre a lógica e o imaginário humano em um cenário quimérico ao som de David Bowie! No lugar aonde as coisas nem sempre são o que aparentam ser, uma garota simplória insiste no uso do raciocínio para ludibriar a fantasia em seu território.
sábado, 6 de setembro de 2008
Mais uma dose dessa, por favor...
"21 de agosto
Em vão estendo meus braços para ela, de manhã, ao despertar de um penoso sonho; em vão a procuro à noite em minha cama, quando um devaneio feliz e puro me iludiu, quando julgava estar sentado ao lado dela na relva, e lhe pegava na mão cobrindo-a de mil beijos.
Ah, quando, ainda meio tonto de sono, a procuro e a seguir desperto, uma torrente de lágrimas brota de meu coração e choro, desolado com o futuro sombrio a minha frente!
19 de outubro
Ah, esse vácuo medonho que sinto no meu seio! Muitas vezes penso... Se pudesse uma vez, uma só vez, apertá-la ao peito, todo esse vácuo haveria de se encher."
É... Esse foi o ano dos casos efêmeros; um deles arrebatador e o outro cretino, mas ambos em suspenso. Sabe, queria mesmo era provar um dedo a mais de cada um antes da última despedida.