sábado, 21 de fevereiro de 2009

Imagens do Inconsciente



Tristeza como fonte de beleza! É, como paradoxo cruel e inexorável do espírito humano, que das lágrimas de mágoa, de angústia e de melancolia vertem a matéria mais criativa e reativa para os bens mais belos vida.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Um Demônio

Dizem por ai que o amor é o mais torpe dos demônios, que apesar de ser "enfadonho, pueril e desumano" ele é também "lindo e necessário". Venho pensando nisso, além de tantas outras que ocupam minha mente, porém essa recebe uma atenção especial, as circunstâncias a imprimem, não quero negar o que li/disseram – já sou "do contra" por demais – quero é acrescentar! Novamente, imagino que apenas descrever relações/reações não atinge o âmago da questão que se mantém obscuro ou inacessível, no entanto minha vida não pode ser unicamente construída de hipóteses e sim, deve ser baseada em experiências – no final este será mais escrito pedante e simplório, um reflexo dos descaminhos em que me perco... Esse foi um dos pensamentos que motivaram esse texto: não, ainda, ter encontrado um rumo. Pensei, talvez esse seja um propósito, afinal não encontrar não deixa de ser uma forma de encontrar! Logo, não estou perdido, estou entretido, não estou parado - e isso é muto bom - estou em movimento, estou em permanente conflito com o que costumam chamar de "personalidade", deveriam apelidar esta entidade também de demônio, nunca vi nada atentar mais do que a minha.
Vc me faz bem, sim, de fato, em poucas vezes me senti tão venturoso, contudo também faz mal, acho que isso se explica simplesmente pelo pressuposto que afirma: um extremo necessariamente vai desencadear a idéia do seu oposto – do outro extremo. Assim, a felicidade não é nada mais que o princípio da infelicidade e a bondade pode e vai, naturalmente, despertar a maldade. E o amor? Bem, vcs sabem... Isso tudo me traz a idéia do "eterno retorno" que já merecia um texto a tempos (vide recordação do "trajeto chuvoso pós-primeiro capítulo")!
Logo-logo chegarei a conclusão dos meus pensamentos ou pelo menos ao final destas linhas, o que já é um progresso; quero explorar cada vez mais o inconciente dos meus desejos, sensações e sentimentos; quero explicitar como uma mescla de sentimentos podem e conseguem bloquear, erguer quase um obstáculo instransponível – como o eram os muros de tróia – para minhas ações; não só impedir como também toldar o fim que se alça a frente – tão perto – mas igualmente tão longe, acredito porém que um artifício, como o grande cavalo de madeira, poderia me permitir a vitória.
Estou agora, desabastecido e desabilitado, munido apenas desta angústia e ansiendade prementes. Fraco e asfixiado, cortejado somente pelas intempéries do tempo, gostaria de não perecer quando apenas faltassem umas poucas passadas, desejaria ser testemunhas de mais algumas calamidades ou talvez do alvorecer de uma nova era. Por ora, queria concluir desta forma: "o que poderia ser mais sério do que o amor de um homem por uma mulher, o que poderia ser mais imperioso, impresionante, trazendo em seu cerne a semente da morte?".

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Máximas

O que vou eu fazer com os dias em que esperava por sua ligação pra me dizer que era uma tola e que isso não valia a pena?

Terapia?!

"-Cada vez mais eu acho que vc precisa de terapia."
Talvez, mas quem pode me culpar de não conseguir distinguir o meu certo da verdade dos outros?; quem poderia reprovar minha atitude frente aos meu temores vãos?; quem poderia negar a mim a satisfação dos meus desejos mais pueris? Eu não posso adimitir essas máximas como erros, apenas desconsidero as opiniões alheias; tenho esse vício de resistir às palavras que não acredito.. Cá estou eu a explicitar lucubrações tediosas e angustiantes..
Malditos demônios que não se calam em minha mente! Quem pode emudece-los? Dizem por ai que eu respiros farpas e me alimento de crises e desminti-los seria engarnar a mim mesmo – personalidade idiossincrática. Entenda, não estou dando crédito a eles, estou em uma busca infindável e talvez infrutífera. Procurando o quê? Quero entender cada gesto, cada ato falho, cada danação impostas pelo presente instante. Uma mistura de sentimentos e sensações físico/mentais anuviam o que está ao alcance das minhas mãos; preciso enxergar além da escuridão, vc pode ser essa luz, este guia? Estenda a mão e eu a apertarei com força, sentirei sua compaixão ou coisa que o valha transpaçarem os poros de sua carne para me prover vida por mais alguns instantes. Mas e quando vc é a causa de toda essa pertubação? Não posso me amparar em tábuas soltas, destroços de idílio e perjúrio, que aparecem a mim como socorro providencial de um tempo esquecido. Estou arruinado, pois das soluções mais claras desprendem-se os obstáculos mais imperiosos.
Quem vai silenciar esses malditos demônios? Eles só sabem falar e apontar: como uma grande balbúrdia, uns sobre os outros, alterando-se, intercalando-se, desajuizados e perigosos. Ouvi-los é tortura, me deixa pertubado e inconstante, me deixa perdido e receoso... Cá estou eu com minhas queixas e pragas... Certas coisas não deveriam serem ditas mas outras não mereciam se quer serem pensadas.

Tomar um rumo-tomar um rumo-tomar um rumo...
À luz ou escuridão? À verdade ou mentira? Eu tenho escolha, vejam só! Terapia, ham.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Quero um quarto, quero uma porta

Quero um quarto, quero uma porta; preciso de um espaço autônomo, uma área de convívio individual. Meus auvéolos já se entopem de balbúrdia, eu não consigo respirar com barulho, minha sanidade mental depende do silêncio, estou sendo tão ilógico assim em defender essa questão? Meus planos desmoranam-se como castelos de cartas por simples murmúrios, um maldito cicio desconstrói meu raciocínio mais simples e minha serenidade ou concentração, como quiserem os críticos, não é nada sem uma quietude sepucral. Não me deixam conversar com meu ego, travarei tal debate com quem, então? O bozo?!
Estou farto-estressado-amuado e meus pensamentos já me fogem amedrontados ou me aparecem desconexos, como um homem pode se guiar sem a luz de suas idéias? Quantas vezes minha vontade foi a de errar por caminhos desconhecido, provando apenas do acalentar das trevas, sem se incomodar com os assovios do vento! Mas esse protesto é sobre isso, não contra os sons, mas em oposição a incoveniência dos seres, mais que uma queixa, ele representa um desabafo (afinal é essa a função desse blog). Como diz aquel música: "gostaria de um lugar no campo em uma casinha de sapê", nada mais singelo ou bucólico me faria mais feliz... É o que minha prosa diz por ai, minha melhor aura está entre os elfos e as ninfas da floresta.
É noite e estou menos aflito e mais calmo, "penetrar surdamente no reino das palavras" significa isso, a audição aqui não se faz necessário... minhas abstrações ganham ares, libertam-se dos grilhões da interrupção e eu consigo retornar do exílio de mim mesmo. Minhas imagens ganham cores e minhas representações vida! Acho que esse tipo de viagem introspectiva é um dos meios de se conhecer a si mesmo, os sonhos são outras das passagens diretas para o escapismo e o sono só se faz depois da cessação dos ruídos. Vê aonde quero chegar? Dessa forma percebo na tranqüilidade plena um dos estados para a criação, patamar do qual nem Dali muito menos Cruz e Souza poderiam ter surgido.

Claro, ainda existem coisas que me prendem a atenção de maneira fecunda e por elas eu prezo: gotejos da calha, folhas se entregando a terra e a sua voz.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Estilete

"Mediante um sol castigante
Procuramos um oásis
com ansiedade muda em frases
Ignoramos os cartazes

Dois valentes kamikazes
embriagados pela alegria,
que ardia- nesse quente dia-
de magia.

Tudo estava perfeito
A água doce nos chamava para seu leito
como crianças desprotegidas nos aninhamos em seu peito
E não medimos mais as consequências do que foi feito

Sem nenhum alarme
Estiletes cristalinos atravessaram a carne
à espreita na floresta esmeralda havia um elfo hipnotizante
que lançou seus feitiços sobre a carne lancinante
a paisagem e seu frescor
conseguiram amenizar sua dor
O hábil cirurgião nao deixou nenhuma gota de sangue
havia apenas lama salpicada do mangue

Tudo fora exposto
agora seu esqueleto respirava com maior gosto
e nos preocupávamos com a sua veia pulsando
a carne aberta, horrenda, quando
o elfo sorridente saboreou: aqui sou eu que mando!"

Sem mais.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

feito, refeito, defeito.

São horas de incerteza, são dias de angústia, são tempos de insegurança; não quero soterrar com pragas meus tesouros inventados, quero mais é apregoa-los com os mais doces elogios. No entanto minha vista mantém-se embaçada, meu caminho não está livre de tropeços e receio prosseguir. Sofro de insatisfação crônica é isso! Diagnóstico precipitado, porém, provável; quero mais é que se foda e curtir a vida, gritar: "É isso!" e me reinventar. Do que eu sou feito? Com o que eu posso ser refeito? Não, eu só conheço meus defeitos e deles, matéria-morta, nada se pode construir ou usufruir. Já estou a ultrapassar a barreira dos meados de minha existência, as duas décadas se findam e eu não sei o que sou.
Ah, me sinto tão injuriado; quero de forma afobada correr atrás dos meus planos, concatena-los com meus anseios e finalmente disperdiçar meus frutos! Será que estou fazendo sentido? Aliás, qual é o sentido? Eu só sei das minhas memórias, estava catalogando-as hoje, me sentia bem e satisfeito, pois via o quanto já tinha vivido, mas o pesar estava a me sondar, seu estratagema era fácil adivinhar. Às vezes acho que ambos os sentimentos estão de conchavo a dor e o prazer ambos a tramar, são tão parecidos, acredito mesmo que sejam irmãos. Logo, cai em sua cilada, meu temor maior despertou; minha dúvida era se poderia continuar a colecionar/gozar de bons momentos, inefáveis instantes, doces vivências. Oh, passatempo atroz!
Não sei, mas por vezes jugo creditar proteção em sua voz, sinto que poderia escutá-la o quanto vc conseguisse proferir suas raras palavras, desejaria me aventurar à noite em companhia desta melodia ímpar; vencer as horas, vencer o sono, vencer a covardia. No entanto aqui estou, apenas a sonhar, mas destas matérias oníricas eu extraio uma certeza, pois sim, já ouvi falar que "é impossível pensar em qualquer ato de um sonho cuja motivação original não tenha passado, de um modo ou de outro fosse desejo, anseio ou impulso , através da mente desperta": acordado ou entorpecido eu sei o que quero, mas me sinto vacilante.