In fear every day, every evening
It calls here aloud from above
Carefully watched for a reason
Mistaking devotion and love
Surrendered to self-preservation
From others who care for themselves
A blindness that touches perfection
Appears just like anything else
Isolation - isolation - isolation
Mother I tried, please believe me
I'm doing the best that I can, I'm ashamed of the things
I've been put through; I'm ashamed of the person I am
But if you could just see the beauty
These things I could never discribe
This is my one consolation
This is my wonderful prize
Se a estranheza domina o meu espírito, sinto isso e me envergonho profundamente, pois o que me faz tremer os ossos mais do que essa massa de frio polar é o fato de eu nunca me ter tido como normal. Eu juro, eu tentei. Se vou sucumbir aos tapas que a vida me dá, que seja da melhor maneira, que sintam orgulho das lembranças que preservei nas memórias alheias, que meu nome seja pronunciado sem expressões de escárnio ou desgosto, que não derrubem lágrimas, pois eu mantive até os ultimos intantes da minha vida a certeza nestes corações apartados de eu ter vencido. Sempre fui sensível aos meus erros, sempre fui temeroso aos efeitos que eles provocariam em quem realmente se importava. Não me julgues mal, pois não sabes de toda a verdade, não imaginas minhas condenações e injúrias; nunca alcançaram a satisfação dos meus desejos e eu nunca reprovei as tentativas pedantes. Chamem de medo, covardia ou ingratidão, contudo eu não gosto de ninguém, quiçá nunca gostei - de fato triste, admito - jamais vou gostar.
Por isso me esqueçam aos poucos até eu desaparecer, até os vestígios se apagarem, até as memórias cessarem, tendo em vista que seria de muito mal gosto a falta de um aceno ou cumprimento ao ver a minha casca vazia, perseverando no maldito costume de perambular.
domingo, 7 de junho de 2009
sábado, 30 de maio de 2009
O Movimento esta morto!

- O Movimento Estudantil está morto e foram vcs que o mataram ! E o fazem a cada ano quando o enterram cada vez mais fundo sob pretextos pobres e exíguos. Quando desistem da luta - no momento último - vestidos de andrajos e peitos nus, entregam as armas por migalhas e regozijam a derrota. Fins de maio, todos sentados, ouvidos indiferentes assistem a mais este naufrágio... a luta foi asfixiada e este organismo agoniza e mesmo quando em impetos de coragem e veemência o movimento se mostra ainda pujante vcs simplesmente jogam em desprezo o último palmo de terra. O que vcs chamam de radicalismos minoritários eu chamo de centelhas de vida de um instrumento já desacreditado. Sentados, de vistas anuviadas, vcs somente esperam impassivos os que já se propõe a proclamar os elogios fúnebres de um lado e do outro as últimas esperanças vãs.
O Movimento está morto e vcs são os culpados. Parabéns!
sábado, 23 de maio de 2009
Diálogos
- Cadê a minha carta?
- Está no meu bolso..
- Hum.. frente e verso?
- Sim.
- Nossa, Fer..
- Eu poderia escrever um livro, querida.
Fragmentos de contos de fadas em histórias de terror.
- Está no meu bolso..
- Hum.. frente e verso?
- Sim.
- Nossa, Fer..
- Eu poderia escrever um livro, querida.
Fragmentos de contos de fadas em histórias de terror.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
És por ti!
Oh, é em ti que se amparam todos os meus anseios, no balanço da rede, envolto em suas memórias me meto em enleios. São os ventos que sibilam seu nome em melodias infinitas - das mais doces que já ouvi - celebrando as maiores graças que já tive! Se os Deuses me escutam, se os Deuses existem rogo-lhes um pedido, se puderam com sapiência e benevolência te conceber deverão saber e me farão crer que algum dia eu irei de revê-la! Se sofro é por ti e se tenho esperança, acredite, é nela que sustento minhas pernas, que agora dançam intediadas e reprimidas uma valsa sem par em um silêncio e escuro secular. Cançado desta estadia longa e resentida, me mantenho inapto a outras aventuras e só penso nos dias que já houveram, no dia que ha de vir - por favor - quando poderei cantar em tuas venturas! Acordar, depois de dormir e sonhar contigo, em seu regaço. Lenvantar com toda coragem e confiaça e te pedir em dança, por entre cipós, folhas e orvalhos trilhar em ti pelos mais belos prados e cumes. Sim, não sabes, mas é só vc que me satisfaz, gritaria a verdade para os ouvidos mudos desta cidade, venderia minha alma se de novo pudesses me deixar deleitar-te em tua calma. Todavia meu destino, esta sina maldita que não escolhi, desvencilha meu corpo - dor, desatino - pulula minha mente de interditos - puta, miséria - avança minha vida para o último outubro - surdo, luto.
Quando dos primeiros passos, naquela manhã de julho, embalado em bruma, um tempo frio que fazia eriçar os pelos dos braços, a solidão dos teus caminhos reconfortava meus mais fortes desamparos. Esquecia a vida, ignorava as penas, dizia adeus para as virtudes! Ah, quanta solicitude, para vencer seus perigos somente a juventude! Me feriu, me seduziu e hoje vivo, porém estou morto se não conduzido à tua plenitude. És por vc Paranapiacaba, que me escondo da vida, me entrego a quimeras somente para desvelar o segredo em tuas trevas.
Oh, nem que eu tenhas que dever a Caronte, revela-te em tuas telas, nas noites estreladas do horizonte!
Quando dos primeiros passos, naquela manhã de julho, embalado em bruma, um tempo frio que fazia eriçar os pelos dos braços, a solidão dos teus caminhos reconfortava meus mais fortes desamparos. Esquecia a vida, ignorava as penas, dizia adeus para as virtudes! Ah, quanta solicitude, para vencer seus perigos somente a juventude! Me feriu, me seduziu e hoje vivo, porém estou morto se não conduzido à tua plenitude. És por vc Paranapiacaba, que me escondo da vida, me entrego a quimeras somente para desvelar o segredo em tuas trevas.
Oh, nem que eu tenhas que dever a Caronte, revela-te em tuas telas, nas noites estreladas do horizonte!
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Premissa de desejo maior (ou de como os distraídos se repelem)
Dois olhares se cruzam, dois destinos indiferentes um ao outro por um segundo compartilham o mesmo caminho; dois corpos, duas vidas, duas almas até este determinado e quiçá definitivo instantes separadas por contingências sorrateiras e intangíveis agora resvalam no surdo-mudo das ruas. Como se poderia definir ou como se deveria lidar com desejos inconstantes e incertos, sem impulso ou direção, prementes por razão e motivação, vozes inatas e caladas no interior de nossos eu's, que em momentos súbitos promovem roupantes inesperados? Alguns seres são guiados por impressões outros por chamados, mas a maioria nega os indícios/sinais que assomam nossas vistas e as vezes a embaralham para continuar seu passo rítmico e inabalável.
Um homem e uma mulher, dois individuos egocêntricos e discrepantemente dispostos a união, que não se conheciam, que nunca antes tinham se visto, que não esperavam nada desse encontro imprevisto. Que de forma análoga a tantos outros casais separados e alheios, agora trocam olhares e se tocam. Ele, de cabeça baixa e taciturno, cujo casaco de veludo desperta tensão e mistério, envolto em uma bruma de apatia, de passos pesados e distintos, como que atraído pelo caminho que traça, não transparece qualquer sensação pelo semblante ainda impassível que carrega. Ela, de pele clara e pensamentos difusos, mergulhada em trejeitos femininos, não pertuba sua noção de mundo com qualquer obstáculo físico, mantém-se distraída em seus passos firmes. A rua de paralelepípedos e cimento é a insensível moldura, um tempo fechado e nebuloso presenciará o fatídico encontro.
São mais dois anônimos que se lançam no fluxo contínuo e infinito do vai-véns. As feições distantes diminuem as distâncias entre si e por um ínfimo momento eles trocam olhares; na iminência desta colisão inevitável eles miram um ao outro profunda e atentamente. O choque dos dois corpos transpassa uma corrente de ânimo que nenhum deles esperava. Em solo estéril e destratado uma semente de esperança é plantada - lançada despretenciosamente - e em seu útero se agregam sonhos, futuros, planos e anseios que somente o acalento de dois corpos pode fazer brotar.
No minuto posterior ao encontro eles param, de sopetão e licenciosamente, simultaneamente interrompem sua marcha, porém, eles não volvem as vistas; não olham para aquele que està à suas costas, simplesmente sustentam a sua imobilidade e algidez por alguns segundos. O pretexto desta coreografia não ensaida era acessível a quem pretendesse narrá-lo: queriam, unicamente, dar passagem ao próximo transeunte que cruzavam.
Ambos por fim e desgraçadamente alcançam a suas moradias e após descasarem os ombros tensos e doloridos na poltrona central do primeiro comodo da casa, só possuem um pensamento em mente: o descontentamento e incompreensão sobre suas vidas e mais especificamente sobre o comportamento selvagem e reprovável de seus irmãos citadinos que prensados em corredores diminutos embarram uns os outros sem sequer se desculparem.
Um homem e uma mulher, dois individuos egocêntricos e discrepantemente dispostos a união, que não se conheciam, que nunca antes tinham se visto, que não esperavam nada desse encontro imprevisto. Que de forma análoga a tantos outros casais separados e alheios, agora trocam olhares e se tocam. Ele, de cabeça baixa e taciturno, cujo casaco de veludo desperta tensão e mistério, envolto em uma bruma de apatia, de passos pesados e distintos, como que atraído pelo caminho que traça, não transparece qualquer sensação pelo semblante ainda impassível que carrega. Ela, de pele clara e pensamentos difusos, mergulhada em trejeitos femininos, não pertuba sua noção de mundo com qualquer obstáculo físico, mantém-se distraída em seus passos firmes. A rua de paralelepípedos e cimento é a insensível moldura, um tempo fechado e nebuloso presenciará o fatídico encontro.
São mais dois anônimos que se lançam no fluxo contínuo e infinito do vai-véns. As feições distantes diminuem as distâncias entre si e por um ínfimo momento eles trocam olhares; na iminência desta colisão inevitável eles miram um ao outro profunda e atentamente. O choque dos dois corpos transpassa uma corrente de ânimo que nenhum deles esperava. Em solo estéril e destratado uma semente de esperança é plantada - lançada despretenciosamente - e em seu útero se agregam sonhos, futuros, planos e anseios que somente o acalento de dois corpos pode fazer brotar.
No minuto posterior ao encontro eles param, de sopetão e licenciosamente, simultaneamente interrompem sua marcha, porém, eles não volvem as vistas; não olham para aquele que està à suas costas, simplesmente sustentam a sua imobilidade e algidez por alguns segundos. O pretexto desta coreografia não ensaida era acessível a quem pretendesse narrá-lo: queriam, unicamente, dar passagem ao próximo transeunte que cruzavam.
Ambos por fim e desgraçadamente alcançam a suas moradias e após descasarem os ombros tensos e doloridos na poltrona central do primeiro comodo da casa, só possuem um pensamento em mente: o descontentamento e incompreensão sobre suas vidas e mais especificamente sobre o comportamento selvagem e reprovável de seus irmãos citadinos que prensados em corredores diminutos embarram uns os outros sem sequer se desculparem.
domingo, 3 de maio de 2009
sexta-feira, 1 de maio de 2009
A palavra e a história
"Em 1532, o conquistador Pizarro aprisionou o inca Atahualpa, em Cajamarca. Pizarro prometeu-lhe a liberdade, se o Inca enchesse de ouro um grande quarto. O ouro chegou, desde os quatro cantos do império, e abarrotou o quarto até o teto. Pizarro mandou matar o prisioneiro.
Desde antes, desde quando as primeiras caravelas apontaram no horizonte, até nossos dias, a história das Américas é uma história de traição à palavra: promessas quebradas, pactos descumpridos, documentos assinados e esquecidos, enganos, ciladas. "Te dou minha palavra", segue-se dizendo, mas poucos são os que dão, com a palavra algo mais do que nada.
Não haverá o que aprender com os perdedores, como em tantas outras coisas? Os primeiros habitantes das Américas, derrotados pela pólvora, pelos vírus, pelas bactérias e também pela mentira, compartilhavam a certeza de que a palavra é sagrada, e muitos dos sobreviventes ainda acreditam nisso:
- Dizem que nós não temos grandes monumentos - diz um indígena mapuche, ao sul do Chile. - Para nós, a palavra continua sendo um grande monumento.
Em língua guarani, ñe'e significa "alma" e também "palavra".
- A palavra vale - diz um indígena aváguarani, no Paraguai - porque é nossa alma. Não precisamos colocá-la no papel, para que nos creiam.
As culturas americanas mais americanas de todas foram desqualificadas, desde o início, como ignorâncias. Em sua maioria, não conheciam a escrita. A Ilíada e a Odisséia, as obras fundadoras disso que chamam a cultura ocidental, também foram criadas por uma sociedade sem escrita, e suas palavras voam cada vez melhor. Oral ou escrita, a palavra pode ser um instrumento do poder ou ponte de encontro. A desqualificação tinha, e continua tendo, outro motivo muito mais realista: estamos amestrados para ouvir e repetir a voz do vencedor.
A propósito, vale a pena mencionar a importância que teve a palavra, uma só palavra, durante o recente processo contra os militares que executaram a matança da comunidade indígena de Xamán, na Guatemala. A carnificina ocorreu em 1995, já no período que chamam democrático, e havia uma montanha de provas que condenavam os assassinos; mas até agora o assunto deu em nada. A secretária que transcreveu o auto processual cometera um erro ortográfico na qualificação pena: ejecusión extrajudicial, escreveu. Os advogados do exército sustentaram que esse delito, escrito assim, ejecusión, não existe. O promotor protestou: foi ameaçado de morte e partiu para o exílio."
1999
Os antigos, os recentes e os novos congregam a necessidade de união dos homens em torno da palavra, sustentáculo universal das relações humanas e invólucro privilegiado da essência divina, ela atualmente porém, tem uma compreensão bem mais fluída e condicional. Para quem já defendeu os desígnios de honra, palavra e coragem, ver hoje a subversão em favor de interesses político-econômico-sociais do principal expediente humano é um grande pesar e certeza de uma premissa do pontencial de autodestruição que a humanidade gera em si mesmo. E na leitura dessa análise do micro, que, nós sabemos, inexoravelmente desembocará para o macro, eu engrandeço a obra deste e me compadeço pelo fato de nem todos os jornalistas serem como E. Galeno.
Desde antes, desde quando as primeiras caravelas apontaram no horizonte, até nossos dias, a história das Américas é uma história de traição à palavra: promessas quebradas, pactos descumpridos, documentos assinados e esquecidos, enganos, ciladas. "Te dou minha palavra", segue-se dizendo, mas poucos são os que dão, com a palavra algo mais do que nada.
Não haverá o que aprender com os perdedores, como em tantas outras coisas? Os primeiros habitantes das Américas, derrotados pela pólvora, pelos vírus, pelas bactérias e também pela mentira, compartilhavam a certeza de que a palavra é sagrada, e muitos dos sobreviventes ainda acreditam nisso:
- Dizem que nós não temos grandes monumentos - diz um indígena mapuche, ao sul do Chile. - Para nós, a palavra continua sendo um grande monumento.
Em língua guarani, ñe'e significa "alma" e também "palavra".
- A palavra vale - diz um indígena aváguarani, no Paraguai - porque é nossa alma. Não precisamos colocá-la no papel, para que nos creiam.
As culturas americanas mais americanas de todas foram desqualificadas, desde o início, como ignorâncias. Em sua maioria, não conheciam a escrita. A Ilíada e a Odisséia, as obras fundadoras disso que chamam a cultura ocidental, também foram criadas por uma sociedade sem escrita, e suas palavras voam cada vez melhor. Oral ou escrita, a palavra pode ser um instrumento do poder ou ponte de encontro. A desqualificação tinha, e continua tendo, outro motivo muito mais realista: estamos amestrados para ouvir e repetir a voz do vencedor.
A propósito, vale a pena mencionar a importância que teve a palavra, uma só palavra, durante o recente processo contra os militares que executaram a matança da comunidade indígena de Xamán, na Guatemala. A carnificina ocorreu em 1995, já no período que chamam democrático, e havia uma montanha de provas que condenavam os assassinos; mas até agora o assunto deu em nada. A secretária que transcreveu o auto processual cometera um erro ortográfico na qualificação pena: ejecusión extrajudicial, escreveu. Os advogados do exército sustentaram que esse delito, escrito assim, ejecusión, não existe. O promotor protestou: foi ameaçado de morte e partiu para o exílio."
1999
Os antigos, os recentes e os novos congregam a necessidade de união dos homens em torno da palavra, sustentáculo universal das relações humanas e invólucro privilegiado da essência divina, ela atualmente porém, tem uma compreensão bem mais fluída e condicional. Para quem já defendeu os desígnios de honra, palavra e coragem, ver hoje a subversão em favor de interesses político-econômico-sociais do principal expediente humano é um grande pesar e certeza de uma premissa do pontencial de autodestruição que a humanidade gera em si mesmo. E na leitura dessa análise do micro, que, nós sabemos, inexoravelmente desembocará para o macro, eu engrandeço a obra deste e me compadeço pelo fato de nem todos os jornalistas serem como E. Galeno.
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