Um caminho que satisfaça a um homem não é fácil de encontrar, mas um que satisfaça a muitos é praticamente impossível. Visto que todos temos que lidar com essas muitas vozes que estão em nossa mente e que possuem a precisa certeza de que sabem como se virar; de que são as donas da verdade e de que em absoluto cogitam a idéia de estarem erradas. Entretanto a maioria das pessoas consegue dar um sentido a vida ou pelo menos não estanca na encruzilhada, pois é exatamente nesse labirinto de portas ou saídas que me detive. Longe de ser um mero obstáculo, esse trabalho hercúleo se coloca como uma das grandes desculpas para o desgosto que nutro pela vida. Como em um grande drama, temos no palco forças divergentes que se engalfinham para tomar posse da liderança/comando e nesse eterno embate (21 anos de guerra aproximadamente) colocam em risco a minha relação com o mundo real, usufruem dos prazeres da discórdia e compromente a minha estrutura perante a sociedade. O resultado final é esta criatura "dual e discordante" da qual vos fala - ser de péssimo humor e de franqueza peçonhenta - que não sabe lidar com outros homens ou simplesmente se furta de cultivar dependências.
Trataresmos pois dessas facetas subcutâneas que perfazem o espírito deste animal/homem já muito fragilizado. Ignorando a multiplicidade dos eu's que me arrematam, pretenderei dar ênfase a apenas dois deles - o homem e o lobo - frente e anverso da mesma moeda, eles criaram um grande obstáculo para a continuidade da minha existência. De particularização díficil, pois cada um deles se subdividem em novos e específicos entes, eles se destacam na turba de vozes tentando impor suas vontades e objeções, logo descrevemos uma convivência aonde não existe o diálogo, unicamente o escárnio e a hostilidade. Nesse terreno o homem aparece como um nobre côrtes e amável, disposto a expressar seus ideais e receios, dedicado as artes e as amizades, que abomina a malvadeza e o solipsismo e ama, acima de tudo, aos outros homens. Quanto ao lobo, esta fera ímproba e desrespeitosa, prefere o eremitismo, a razão e como fator último de deliberação o instinto, possue impulsos incontroláveis que lhe tornam imprevisível e perigo, não apenas a si mesmo, mas sobretudo aos outros e, em contraposição ao homem, ama com fervor a natureza, seu habitat. Como controlar duas entidade tão discrepantes dentro de um corpo só? Se antes ambas coagissem suas ordens em benefício mútuo... Mas não, "nele o homem e o lobo não caminhavam juntos, nem sequer se ajudavam reciprocamente, mas permaneciam em contínua e mortal inimizade e um vivia apenas para causar dano ao outro, e quando há dois inimigos mortais num mesmo sangue e na mesma alma, então a vida é uma desgraça."
Desta forma, assumir a direção de tal espetáculo era improvável, mesmo para o mais destemido ou destro maestro/diretor. Desta maneira seriam explicados os meus atos falhos; em circunstâncias assim lançaria mão desavergonhadamente da esquizofrenia para me explicar. E ah, a grande revelação: se fujo dos lugares e das pessoas é para mormente, uivar para a lua em trevas que tanto me atrai. Claro, vcs não acreditariam, pois já domaram este selvagem interior a muito tempo ou se quer deixaram-no viver - mas quanto a mim, o que poderia fazer se ele vive e cresce a cada dia dentro do meu âmago? Me matar? Me controlar? Ou me isolar? Não, nada disso, segundo Hesse, eu deveria aprender a ouvir amúsica além da algaravia e rir-me de todo o resto.
domingo, 9 de agosto de 2009
Imagens do Inconsciente
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Morte aos mortos!
"Miserável país aquele que não tem heróis. Miserável país aquele que precisa de heróis."
"O mundo não acabou, pois que entre as ruínas
outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora,
e o hálito selvagem da liberdade
dilata os seus peitos, Stalingrado,
seus peitos que estalam e caem
enquanto outros, vingadores, se elevam."
Entre nós, os seres humanos, existem heróis que não vemos, que não conhecemos e que quiçá nunca ouviremos falar. Falo claro, destes exemplares destemidos que nascem todos os dias, que de seus pequenos atos - grandes sacrifícios - comovem um público composto de anônimos. São bravos e laboriosos, fizeram mais por nós do que nós por eles e desta feita não nos exigiram nada. Quem algum dia lamuriou a extinção destes heróis, se preocupou em procurar apenas nas manchetes e não se deteve nos fatos reais. Na História pulsante e viva que renega ao esquecimento nomes não registrados ou deificados; um redomonhio que engole e corrompe o verdadeiro processo histórico - àquele ao qual os homens não tem posse do controle, porém são donos do manche e navegam ao bel-prazer de aspirações e lucubrações. Por conseguinte, o que seria dos grandes momentos da nossa História se essa turba de aventureiros não tivesse agido? Empunhando paus e pedras, vontade e coragem, eles derrubaram a Bastilha, frearam as tropas nazistas, sobreviveram a catástrofe das explosões nucleares de 45, empreenderam três derrotas exaustivas a República sob a aragem das preces de um Concelheiro, libertaram Hanói, tantas exemplos mais que meu âmago só faz embargar..
Vivemos em um mundo de heróis e heroínas e desconhecemos a cada um deles e protestamos à sua ausência, contraditório, não? Estamos contaminados pela concepção ideal de heróis; fomos levados a crer que estes ídolos são criaturas imortais e intangíveis, semi-deuses que tem a capacidade de alterar o curso do tempo e o destino dos homens e tão pervertido que estamos por essa visão, não podemos mais abrir aos olhos ou logo estaremos cegos para a vida e suas vicissitudes pois, descansam exatamente nos detalhes a perfeição e especificidade deste quadro.
Condeno estão, àqueles que reclamam ao passado a verdadeira identidade da humanidade; execro àqueles que ressucitam os mortos para espantar seus fantasmas e finalmente excomungo a todos que negarem a seus 'eus', aquela face ímpar e etérea, que tem a capacidade de transformar visto que, é desta centelha que se propagará a chama do resnacimento humano.
Assim, nestas palavras, neste manifesto-depoimento congrego aos homens a assassinarem aos mortos! Estes que não mais estão entre nós e que não mais contribuem em nada para com nossa existência e convívio. O tempo consumiu a vossa carne, precisamos agora nos valer da mesma entidade para acondicionar a vcs que ainda teimam em desfrutar do nosso âmbito. Privamo-nos nosso espaço a quem não mais pertence a ele e deixemos que o mesmo tempo nos apresente os heróis, incógnitos na multidão, senhores de poucas palavras e muita humildade, pedestais da compaixão e da moral, cultivadores do altruísmo e da solidariedade.
Miserável país aquele que desconhece aos seus vivos heróis.
"O mundo não acabou, pois que entre as ruínas
outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora,
e o hálito selvagem da liberdade
dilata os seus peitos, Stalingrado,
seus peitos que estalam e caem
enquanto outros, vingadores, se elevam."
Entre nós, os seres humanos, existem heróis que não vemos, que não conhecemos e que quiçá nunca ouviremos falar. Falo claro, destes exemplares destemidos que nascem todos os dias, que de seus pequenos atos - grandes sacrifícios - comovem um público composto de anônimos. São bravos e laboriosos, fizeram mais por nós do que nós por eles e desta feita não nos exigiram nada. Quem algum dia lamuriou a extinção destes heróis, se preocupou em procurar apenas nas manchetes e não se deteve nos fatos reais. Na História pulsante e viva que renega ao esquecimento nomes não registrados ou deificados; um redomonhio que engole e corrompe o verdadeiro processo histórico - àquele ao qual os homens não tem posse do controle, porém são donos do manche e navegam ao bel-prazer de aspirações e lucubrações. Por conseguinte, o que seria dos grandes momentos da nossa História se essa turba de aventureiros não tivesse agido? Empunhando paus e pedras, vontade e coragem, eles derrubaram a Bastilha, frearam as tropas nazistas, sobreviveram a catástrofe das explosões nucleares de 45, empreenderam três derrotas exaustivas a República sob a aragem das preces de um Concelheiro, libertaram Hanói, tantas exemplos mais que meu âmago só faz embargar..
Vivemos em um mundo de heróis e heroínas e desconhecemos a cada um deles e protestamos à sua ausência, contraditório, não? Estamos contaminados pela concepção ideal de heróis; fomos levados a crer que estes ídolos são criaturas imortais e intangíveis, semi-deuses que tem a capacidade de alterar o curso do tempo e o destino dos homens e tão pervertido que estamos por essa visão, não podemos mais abrir aos olhos ou logo estaremos cegos para a vida e suas vicissitudes pois, descansam exatamente nos detalhes a perfeição e especificidade deste quadro.
Condeno estão, àqueles que reclamam ao passado a verdadeira identidade da humanidade; execro àqueles que ressucitam os mortos para espantar seus fantasmas e finalmente excomungo a todos que negarem a seus 'eus', aquela face ímpar e etérea, que tem a capacidade de transformar visto que, é desta centelha que se propagará a chama do resnacimento humano.
Assim, nestas palavras, neste manifesto-depoimento congrego aos homens a assassinarem aos mortos! Estes que não mais estão entre nós e que não mais contribuem em nada para com nossa existência e convívio. O tempo consumiu a vossa carne, precisamos agora nos valer da mesma entidade para acondicionar a vcs que ainda teimam em desfrutar do nosso âmbito. Privamo-nos nosso espaço a quem não mais pertence a ele e deixemos que o mesmo tempo nos apresente os heróis, incógnitos na multidão, senhores de poucas palavras e muita humildade, pedestais da compaixão e da moral, cultivadores do altruísmo e da solidariedade.
Miserável país aquele que desconhece aos seus vivos heróis.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Diálogos
- Acho que vc é anti-social..
- Ah, mais isso já é um consenso.
- Mas acho que vc age assim para afastar e se proteger das pessoas..
- Será?
Pelo visto todos tem uma teoria sobre mim, mais alguém se habilita?
- Ah, mais isso já é um consenso.
- Mas acho que vc age assim para afastar e se proteger das pessoas..
- Será?
Pelo visto todos tem uma teoria sobre mim, mais alguém se habilita?
domingo, 2 de agosto de 2009
Máximas
"Tem momentos que nem um historiador deveria olhar para o passado."
Obviamente eu ainda não aprendi essa lição...
Obviamente eu ainda não aprendi essa lição...
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Diálogos
- Vc está me irritando.
- Pois é exatamente destas coisas irritantes que vc irá se lembrar quando tudo acabar..
- É. Porque a gente só lembra das coisas ruins! As coisas boas, puf!.. desaparecem.
- haha.. puff!
- Pois é exatamente destas coisas irritantes que vc irá se lembrar quando tudo acabar..
- É. Porque a gente só lembra das coisas ruins! As coisas boas, puf!.. desaparecem.
- haha.. puff!
Quadragésimo aniversário
"...a todos os suicidas é familiar a luta contra a tentação do suicídio. Cada um deles é familiar a luta contra a tentação do suicídio. Cada um deles sabe muito bem, em algum canto de sua alma, que o suicídio, embora seja uma fuga, é uma fuga mesquinha e ilegítima, e que é mais nobre e belo deixar se abater pela vida do que por sua própria mão. Tendo consciência disso, a mórbida consciência que é praticamente a mesma daqueles satisfeitos consigo mesmos, os suicidas em sua maioria são impelidos a uma luta prolongada contra a tentação. Lutam como os cleptômanos lutam contra o próprio vício. O Lobo da Estepe era bastante afeito a esse tipo de luta; nela já havia combatido com várias armas. Finalmente, aos quarenta e seis anos de idade, deu com uma idéia feliz, mas não inofensiva, que lhe causava, não raro, algum deleite. Fixou a data de seu quinquagésimo aniversário como o dia no qual se permitiria o suicídio. Nesse dia, convencionara consigo mesmo, podia usar a saída de emergência, segundo a disposição que demonstrasse. Então poderia ocorrer-lhe o que fosse, enfermidades, miséria, sofrimentos e amarguras, que tudo teria um limite, nada poderia estender-se além daqueles poucos anos, meses e dias, cujo número era cada vez menor. E na realidade suportava agora com mais facilidade males que antes o teria atormentado profundamente, males que o teriam comovido até as raízes. Quando por qualquer motivo as coisas iam particularmente más, quando novas dores e perdas se vinham juntar à desolação, ao isolamento e ao desespero de sua vida, podia dizer aos seus algozes: "Esperai mais dois anos e eu vos dominarei." E logo se punha a imaginar o dia de seu quinquagésimo aniversário, quando, logo pela manhã, começariam a chegar as cartas e felicitações, enquanto ele, tomando da navalha, despedir-se-ia das dores e fecharia a porta atrás de si. Então a gota das juntas, a depressão do espírito e todas as dores de cabeça e do estômago poderiam procurar outra vítima."
Cada palavra, cada angústia expressada; os termos e projetos explicitados casam-se de uma maneira assustadora, com tais argumentos eu não consigo apenas me conhecer um pouco mais como também me auto-destruir. Da mesma forma eu idealizei o ano do meu quadragésimo inverno e com sensibilidade semelhante pertubei-me e me martirizei com a mesquinhez de tais pensamentos... Este então, é o meu fado, correto? O isolamento progessivo e paulatino de uma critura noturna e desgostosa com a existência e o afastamento cada vez mais irreversível da imortalidade.
Acredito mesmo que quem me dera tal livro, estava simplesmente com vontade de zombar de mim.
Cada palavra, cada angústia expressada; os termos e projetos explicitados casam-se de uma maneira assustadora, com tais argumentos eu não consigo apenas me conhecer um pouco mais como também me auto-destruir. Da mesma forma eu idealizei o ano do meu quadragésimo inverno e com sensibilidade semelhante pertubei-me e me martirizei com a mesquinhez de tais pensamentos... Este então, é o meu fado, correto? O isolamento progessivo e paulatino de uma critura noturna e desgostosa com a existência e o afastamento cada vez mais irreversível da imortalidade.
Acredito mesmo que quem me dera tal livro, estava simplesmente com vontade de zombar de mim.
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