domingo, 9 de maio de 2010

Mas o que é um Parangolé?

Expressão viva, policromática e inebriente de um corpo/capa/dança sem fins objetivos; nessa experiência, o subjetivo prevalese permeado por nuâncias de racionalidade. Creio que melhor do que definir, seja por a prova o gosto de tal espalhamento artístico e sobretudo humano. Porque o que se apresenta, além das cores e movimentos é algo inconfundívelmente humano, fruto conflitantes ânsias, sentimentos, forças criativas que se degladiam para trazer a luz este ensaio de elevação!
A elaboração, a teoria por trás de tal comoção plástica tece a complexidade de um pensamento intimamente ligado ao âmago libertário. Quero dizer, a fluidez de tal criação nada mais é do que reflexo comum a todos os indivíduos, ou seja, trazemos isso dentro de nós mesmo. Se "museu é o mundo", então nosso ser é também, uma estrutura para exposição nem um pouco tradicional. Mas o que é um parangolé? Tomado pela ascensão do espírito por aquela nova manifestação concretista, mantinha dentro de mim a velha revelia contra as quebras de paradigma, porque um ou muitos dos meus eu's é intransigente, intolerante e reacionária. E apesar desta resistência intestinal eu conseguia sentir, apesar da convulção interna de idéia e condutas, a transmissão corpórea, visual, sensorial no caso, era completa, era significativa.
"Eu aspiro ao labirinto", era o que Hélio Oiticica dizia, ter como grande objetivo de vida o perder-se em si mesmo, me parece tanto com um ritmo de vanguarda como também uma proposta de suicídio da lógico, pois tudo que brota de nosso inconsciente pode ser tudo menos coerente. Assim, esse mergulho poderia trazer consigo grandes descobertas a respeito do gênero humano, entretanto estes mesmo dados se perderiam em qualquer tentativa de retorno a nossa realidade. Me mantenho são ou dou uma chance para a insanidade?

domingo, 25 de abril de 2010

Hay una cosa que no puedes cambiarte

Existe uma coisa que não se pode cambiar, semelhante a sanha, porém mais transparente em suas cores, envolve a todos os homens, negando os e ao mesmo tempo afirmando os em seus fins. Tal impulso ganha expressão em seus atos; uma força que ganha caráter de distinção aos que são eivados por sua insanidade apesar de ser um elemento contituinte a todos os seres. Tal descrição se aplica a uma única paticulariadade, ímpar no império dos sentidos, inata a humanidade.
A História conhece bem esta peculiaridade, pois o processo histórico compreende toda a sua narrativa. A narrativa dos grandes homens ou heróis como diria Hegel, que movidos por este ímpeto construíram a História Universal. Meta que não compreendia sua felicidade pessoal, mas apenas satisfazia uma demante interior que apenas calava-se ao calor da batalha. Confronto travado por diferente vias, afinal existem diversos tipos de guerra, nós todos o sabemos. A vitória então, está ao alcance das mãos de qualquer mortal, entretanto somente alguns triunfos garantirão a imortalidade daqueles que o conquistaram. Entende?
São exatamente estas glórias que fazem girar as rodas da história, seu movimento é dependente destes heróis que empelidos por verdades intestinais, em sacríficio de uma existência privada confortável e tranquila, provam seu valor nos anais dos grandes historiadores. Relatos que bem valeriam o nome de Odisséia, mas cuja importância são destacadas anos depois nos marcos cronológicos divisórios que sustentam.
Mas a entidade da qual eu trato não se revela apenas nos grandes feitos, ela também permeia o cotidiano dos homens comuns. Este enigma começa a seduzi-la, não é mesmo? Como uma divindade, ela julga em seus desígnios os favores por nós solicitados; tais clamores não são esparramados sobre altares ou livros sagrados, mas unicamente no coração dos desengados! Minha redação não estanca aqui nas condições exigidas a estes privilegiados ou eleitos por esta proteção, questão esta, que para mim, é submetida unicamente ao letígio do acaso. Me interessa a compreensão, a reflexão emprestada a ocasião. É a chama do fogo da paixão que se extingue em meu peito ou a ardência de incêndio que deixa neste desnorteamento? Paixão, palavra-verdade, desafio e instigação dos espírito dos homens.

domingo, 11 de abril de 2010

Donde estas mi Destino?

A razão de uma vida está em seus momentos, é na especificidade destes fatos que encontramos a justicativa de uma existência. Então um único flagrante pode definir todo o seu destino, é isso o que Borges dizia e ai está uma verdade na qual eu acredito. Como poucos instantes podem carregar consigo a desculpa de tantos anos? A resposta não está na lógica cartesiana, mas sim, na crença de um sentido para a realidade. Em um labirinto de perspectivas, só nos resta acreditar no corredor menos nublado. O que eu tento a explicitar aqui é a fé de uma convicção.
Por regra uma vivência é constítuida de percalços, simples objeções a planos traçados com afinco e esmero. Obstáculos estes que derrubam até a mais forte e sólida das seguranças. Picos entre vitórias e derrotas que derrubam até o mais nobre dos espíritos então, aonde reside o significado desta guerra (se é que a destruiçao prove uma direção)? Uma inclinação pessoal me diz que as pergunta existencialistas não admitem respostas... Vivemos a mercê então, de nossas idiossincráticas verdades? Acaso este que não dá sabor as narrativas, muito menos ao cotidiano. Por isso, esse texto não é uma concessão ao pessismo, mas antes um levante em favor da esperança de ventos melhores!
Deixo então, para o último parágrafo a descrição da ocasião para tal provérbio :"Cualquier destino, por largo y complicado que sea, consta en realidad de un solo momento: el momento en que el hombre sabe para siempre quién es." Esta aqui, a oportuniadade que desenhará os limites da trama ou o que eu humildemente chamerei de meu destino. Que o produto da adega seja farto e os gozos infinitos!

domingo, 28 de março de 2010

Geración de los Derrotados

Sinto por mim, pela minha memória não ter guardado os momentos pueris dos meus primeiros anos. Não apenas pela incompletude que agora perfaz minha identidade, mas acima disso pela perda de um refúgio incólume contra a insanidade mental. É a ingenuidade infantil o último bastião de negação ao movimento de cretinização cotidiano. Imunes a solidão inerente as multidões, os pequerruchos demonstram em sua sinceridade a afabilidade a qualquer indíviduo anônimo. Na infância não existe distinção, sobra somente a desorientação.
Exatamente pela ausência da autoconciência, os contingentes desta tenra idade são exemplares únicos de coragem e obstinação, seu temor não é pelo desconhecido e sim ao que já os tem ciente. Preservar essa fase da vida é adiar seu ingresso à Geração dos Derrotados, classe/condição inexorável que contempla todo o mundo real, destino justo ou não, ele é inapelável. Tal predestinação não pode interromper o fluxo natural do desenvolvimento humano, pois inocência aqui, não é apenas uma vitude, mas também uma dádiva.
Trato a Geração do Derrotas como um acontecimento ou fenômeno contemporâneo ao processo de urbanização e crescimento populcional desenfreado. Sinto essa aura de derrotismo expressada na marcha das grandes turbas, é aquele passo compassado e quase coreografado que eu percebo esse isolamento, sentimento contraditório ou não, ele me consome como um grande vazio. Um nuvem negra que a todos cobres, menos àqueles desobrigados às suas imposições. Expostas essas impressões, minha reação frente ao gozo sem contextura de um infante ganha sua justificativa. Não sinto compaixão ou conforto, sinto sim, um desgosto íntimo por não me ser possível acessar as mesmas sensações memoriais.

sábado, 13 de março de 2010

E eu, existo?

Há algo de engraçado em ser uma criatura pensante; engraçado aqui, é utilizado como eufimismo para uma qualidade perniciosa e antes disso, assustadora. O que nos diferencia dos animais, nos torna também síntese do que eu chamarei: a dialética da prodigalidade e do amesquinhamento. Porque, penso assim, astuciosos sofismas podem nos fazer crescer e enobrecer, da mesma forma como a insistência em tais engodos pode fazê-los ruir e desmanchar todo o edifícil de cartas de nosso orgulho. Não sei se estou sendo claro, estou?
Partimos de uma tendência que almeja nada mais do que a satisfação e esse objetivo nos confere essas condiçoes de incertezas e constante volubilidade da quais nos revestimos. É a dúvida que nos tira do pedetal para a armagura das sarjetas, escodemos em nós mesmo deste modo, nosso maior inimigo. Da mesma matéria e corpo nascem tanto os sonhos como os pesadelos, vê como nos perdemos dos fatores externos para mergulharmos em um labirinto de instrospecção? Uma mesma idéia ou vontade guarda em seu cerne essa semente que desabrochará segundo as inclinações de nosso temperamento. Então, não dependemos de outros para nos auto-destruir? Não e nem dos outros para sermos felizes, acredita? Escrevo isso por um motivo - vil e egoísta - porém suficiente. Eu não existo mais e nesta declaração está a minha motivação, deixarei para os outros a vida que tanto prezam sem a terem desejado. Grato e perdão!
Quando uma árvore morre, seja um frondoso jacarandá ou um austero pinheiro, ela perece primeiramente por dentro e paulatinamente, conservando em seu exterior ainda um aspecto de viço quando seu veio nada mais pode oferecer. Inversamente a este padrão eu apresento o meu exemplo, pois não é o meu âmago que está a padecer e sim a minha aparência presente, o que está visível às vistas alheias, entende? Meu íntimo ainda sobeja de vida e convulciona seu conteúdo com estímulos distantes ou indiferentes. E sabe do que este núcleo é composto? De reminiscências, memórias que eu tenho certeza nunca expirarão apesar de eu, visivelmente estar morrendo a cada dia um pouco mais...

domingo, 7 de março de 2010

Afundado em minha trinchiras

Esta sucessão de decepções incessantes está começando a me cansar - não que o meu espírito não esteja acostumado - porém, meu corpo começa a arfar sobremaneira e pedir arrego. Tendo em vista a dificuldade que é impor qualquer resistência em ambientes adversos, me ponho aqui em mais um relato sobre a minha valsa solitária entre as cem mil bolas de neve; sim, uma avalanche se avulta sobre minhas débeis defesas. Força e vontade, unidas em um mesmo ímpeto de sobrevivência, uma batalha da ânsia contra o desânimo... Davi contra Golias?
O tom dramático desta notas autobiográficas tem suas cores nos acontecimentos dos últimos meses. A figura da torrente branca e gélida, ganha expressão em favor da licença poética e da timidez congênita às emoções que não transpareço cotidianamente - com excessão das ditas mesas de bares esporádicas. Venho manifestar aqui mostras de minha solidez e covardia, declarações ocultas que se contradizem costumeiramente, entretanto, com razão de ser aqui, no caso presente. A rijidez aparente está em meus silêncios e dissimulações, são indícios análogos à obstinação exibida por Raskolnikov e meu temor, diferentemente deste, não esta no ato, mas na ausência do mesmo. Minha impassividade também é sinônimo da tacitude, do temor posto contra a revelação. É no branco dos meus olhos em que se esconde a verdade, inacessível na maioria das vezes. Isso me deixa mais firme ou vunerável?
Somo o resto da minha disposição contra esse inimigo interior, cuja potência aumenta em função diretamente inversa a minha debilidade. Então, não me levantar em armas frente a este monstro branco de todos os dias é dizer a vc que vou desistir da vida e me entregar as trevas e ao vício da negação. Não é o que me proponho a fazer; negar a chance de viver é obedecer a desistência, é renunciar a virtude, é abdicar da glória.

quarta-feira, 3 de março de 2010

[...]

Se eu realmente mereço toda essa merda que me mandem logo pro inferno...