segunda-feira, 28 de junho de 2010
This is the end, my only friend, the end
Se nos colocamos em busca do infinito, do labirinto ou do além o que deve realmente estar posto são os caminhos que tal peregrinação tomará. Se aspiramos ao desconhecido o certo é que não existem estradas únicas e verdades inexoraveis, importa então somente que nossa trip de autodescoberta não colida com trilhas alheias e com um feitio egoísta congestione toda a Via-láctea. Todos os córregoss desembocam no ralo do absoluto e se todas as ideologias estão mortas, por que não revivermos as crenças pagãs passadas para nos darmos uma existência menos dolorosa?
sábado, 19 de junho de 2010
Cuide de você
"Sophie
Há algum tempo, venho querendo lhe escrever e responder o seu último e-mail. Simultaneamente me pareceria melhor conversar com você e dizer o que tenho a dizer de viva voz. Mas pelo menos será por escrito.
Como você pôde ver, não tenho estado bem ultimamente. É como se nã me reconhecesse na minha própria existência. Uma espécie de angústia terrível, contra a qual não posso fazer grande coisa, senão seguir adiante para tentar superá-la, como sempre fiz. Quando nos conhecemos, você impôs uma condição: não ser a "quarta".
Mantive o meu compromisso: há meses deixewi de ver as "outras", não achando obviamente um meio de vê-las, sem fazer de você uma delas. Achei que isso bastasse; achei que amar você e o seu amor seriam suficientes para que a angústia que me faz sempre querer buscar putros horizontes e me impede de ser tranquilo e, sem dúvida, simplesmente feliz e "generoso" se aquietasse com o seu contato e na certeza de que o amor que você tem por mim foi o mais benéfico para mim, o mais benéfico que jamais tive, você sabe disso.
Achei que a escrita seria um remédio, que meu desassossego se dissolveria nela para encontrar você. Mas não. Estou pior ainda; não tenho condições sequer de lhe explicar o estado em que me encontro. Então, esta semana, comcei a procurar as "outras". E sei bem o que isso significa para mim e em que tipo de ciclo estou entrando. Jamais menti para você e não é agora que vou começar. Houve uma outra regra que você impôs no início de nossa história: no dia em que deixássemos de ser amantes, seria inconcebível para você me ver novamente. Você sabe que essa imposição me parece desastrosa, injusta (já que você ainda vê B., R.,...) e compreensível (obviamente...); com isso, jamais poderia tornar seu amigo. Mas hoje, você pode avaliar a importância da minha decisão, uma vez que estou disposto a me curvar diante da sua vontade, pois deixar de ver você e de falar com você, de aprender o seu olhar sobre as coisas e os seres e a doçura com a qual você me trata são coisas das quais sentirei uma saudade infinita. Aconteça o que acontece saiba que nunca deixarei de amar você da maneira que sempre amei desde que nos conhcemos, e esse amor se estenderá em mim e, tenho certeza, jamais morrerá. Mas hoje, seria pior das farsas manter uma situação que você sabe tão bem quanto eu ter se tornado irremediável, mesmo com todo o amor que sentimos um pelo outro. E é justamente esse amor que me obriga a ser honesto com você mais uma vez, como última prova do que houve entre nís e que permanecerá único.
Gostaria que tudo tivesse tomado um rumo diferente.
Cuide de você"
Há algum tempo, venho querendo lhe escrever e responder o seu último e-mail. Simultaneamente me pareceria melhor conversar com você e dizer o que tenho a dizer de viva voz. Mas pelo menos será por escrito.
Como você pôde ver, não tenho estado bem ultimamente. É como se nã me reconhecesse na minha própria existência. Uma espécie de angústia terrível, contra a qual não posso fazer grande coisa, senão seguir adiante para tentar superá-la, como sempre fiz. Quando nos conhecemos, você impôs uma condição: não ser a "quarta".
Mantive o meu compromisso: há meses deixewi de ver as "outras", não achando obviamente um meio de vê-las, sem fazer de você uma delas. Achei que isso bastasse; achei que amar você e o seu amor seriam suficientes para que a angústia que me faz sempre querer buscar putros horizontes e me impede de ser tranquilo e, sem dúvida, simplesmente feliz e "generoso" se aquietasse com o seu contato e na certeza de que o amor que você tem por mim foi o mais benéfico para mim, o mais benéfico que jamais tive, você sabe disso.
Achei que a escrita seria um remédio, que meu desassossego se dissolveria nela para encontrar você. Mas não. Estou pior ainda; não tenho condições sequer de lhe explicar o estado em que me encontro. Então, esta semana, comcei a procurar as "outras". E sei bem o que isso significa para mim e em que tipo de ciclo estou entrando. Jamais menti para você e não é agora que vou começar. Houve uma outra regra que você impôs no início de nossa história: no dia em que deixássemos de ser amantes, seria inconcebível para você me ver novamente. Você sabe que essa imposição me parece desastrosa, injusta (já que você ainda vê B., R.,...) e compreensível (obviamente...); com isso, jamais poderia tornar seu amigo. Mas hoje, você pode avaliar a importância da minha decisão, uma vez que estou disposto a me curvar diante da sua vontade, pois deixar de ver você e de falar com você, de aprender o seu olhar sobre as coisas e os seres e a doçura com a qual você me trata são coisas das quais sentirei uma saudade infinita. Aconteça o que acontece saiba que nunca deixarei de amar você da maneira que sempre amei desde que nos conhcemos, e esse amor se estenderá em mim e, tenho certeza, jamais morrerá. Mas hoje, seria pior das farsas manter uma situação que você sabe tão bem quanto eu ter se tornado irremediável, mesmo com todo o amor que sentimos um pelo outro. E é justamente esse amor que me obriga a ser honesto com você mais uma vez, como última prova do que houve entre nís e que permanecerá único.
Gostaria que tudo tivesse tomado um rumo diferente.
Cuide de você"
Uivo
Dor intestinal e a tortura das conversas alheias que te excluem de uma mundo qualquer que não te interessa - casais, crianças, idosos, todos de aparência tranquila e pouco miseráveis
que constrastam com a minha condição de desgraçado que desconhece laços e despedidas
que observa e uivas enquantos os transeuntes passam e lançam migalhas de atenção e agradeçe aos poucos que tentaram penetrar o muro de arredismo
que a embriaguez corrói e corrompe, enegrecendo as vistas ao invés de permitir o passe livre para o trato social
que grita para aqueles que duvidam da peste e foge para não contaminá-los, assumindo assim o status de herói ou covarde
que brinda em comemorações sem significado para não usurpar o bom humor que copula a todos os semblantes e sendo assim, apresenta da mesma forma um sorriso de merda no rosto
que trava um embate pessoal contra o pessimismo e o desespero ao se convidar a ambientes hostis
que masturba as chances de dignidade enquanto corre da vergonha da descoberta de seus atos escusos, porque insiste em mostrar máscaras
que devem ocultar a pele deformada pelo cancro e o espírito dissolvido em páginas de poemas, contos, teses sem sentido
que treme ao relento esperando a alvorada surgir sem um pedaço de carne fresca para se aquecer ou transar
que chora e resmunga desenjando a morte e o fim dos dias que antecedem o milagre da autodescoberta ou quem sabe um resnacimento
que constrastam com a minha condição de desgraçado que desconhece laços e despedidas
que observa e uivas enquantos os transeuntes passam e lançam migalhas de atenção e agradeçe aos poucos que tentaram penetrar o muro de arredismo
que a embriaguez corrói e corrompe, enegrecendo as vistas ao invés de permitir o passe livre para o trato social
que grita para aqueles que duvidam da peste e foge para não contaminá-los, assumindo assim o status de herói ou covarde
que brinda em comemorações sem significado para não usurpar o bom humor que copula a todos os semblantes e sendo assim, apresenta da mesma forma um sorriso de merda no rosto
que trava um embate pessoal contra o pessimismo e o desespero ao se convidar a ambientes hostis
que masturba as chances de dignidade enquanto corre da vergonha da descoberta de seus atos escusos, porque insiste em mostrar máscaras
que devem ocultar a pele deformada pelo cancro e o espírito dissolvido em páginas de poemas, contos, teses sem sentido
que treme ao relento esperando a alvorada surgir sem um pedaço de carne fresca para se aquecer ou transar
que chora e resmunga desenjando a morte e o fim dos dias que antecedem o milagre da autodescoberta ou quem sabe um resnacimento
terça-feira, 15 de junho de 2010
Desejos de uivar
A vida, o gozo, o desabrochar do que seram feitos? Que momentos/sentimentos conseguem promover tal concretização? Construímos a nós mesmos dessa imperiosa vontade de viver? Ou erguermos esse edifício através de experiências e suas ulteriores digestões, algumas de efeitos extremamente deletérios? Movimento natural mas de complexa interpretação. Tudo tem um tempo particular e exato; algumas árvores desabrocham suas flores somente após a primavera, alguns frutos maturam sua carne depois do período da fome. Pergunto então, devemos culpá-los por tal especificidade ou excentricidade? Ou poderemos respeitá-los quanto a sua natureza e humildemente apreciar sua beleza?
Apreendemos o universo através da percepção, fabricação de uma imagem da qual daremos colheita dos conceitos que posteriormente servirão á sua interpretação. Procedimento enviesado que cedo ou mais tarde engessará nossa qualidade de apreciação, pois não atentaremos mais ás peculiaridades inatas, mas apenas aos resultados de análises rigorosas. A beleza não pode ser algo normal ou estanque, mas sim, idiossincrática e mutável ou seja puro prisma póetico. Además, quem duvida de que o medonho para uns, pode ser atraente para outros? Sabes, é daqui que eu distingo a verdadeira graça de pertencer a espécie racional.
Entretanto, para outros essa multiplicidade pode parecer perigosa, essa não adequação á categorias cartesianas impõe necessariamente uma barreira á ordem, afinal que regra sobreviveria á tantas exceções? O grande cranco do coletivismo é exatamente esse sufocamento arbitrário do individualismo; em função da promessa de justiça social entregamos a possibilidde da crítica existencial, seja material, imaterial ou coisa que o valha...
A cada vivência pessoal e individualizada nós moldamos um aparelho pessoal interpretativo da realidade que pouco terá de vulgar e nossas opiniões, comportamentos, aspirações consequentemente já de muito estarão determinadas. Como eu disse, a cada personalidade é estipulado um prazo único de leitura e posterior decomposição. Que mal tenho eu se só consigo enchergar tranquilidade e inspiração na matéria viva da natureza, se encontro beleza nesses estados cotidianos e naturais de putrefação? Se "uma melancolia solitária torna-se base de uma grande poesia lírica, e a fuga para a vida ídilica do campo, uma necessidade imperiosa provocada pelo mal-estar que os romanticos experimentam quando se encontram na cidade."? Então voltemos áquela infame sina da humanidade de que, vc sabe, até mesmo de sacos de fezes podem nascer flores, frutos e beldades!
Apreendemos o universo através da percepção, fabricação de uma imagem da qual daremos colheita dos conceitos que posteriormente servirão á sua interpretação. Procedimento enviesado que cedo ou mais tarde engessará nossa qualidade de apreciação, pois não atentaremos mais ás peculiaridades inatas, mas apenas aos resultados de análises rigorosas. A beleza não pode ser algo normal ou estanque, mas sim, idiossincrática e mutável ou seja puro prisma póetico. Además, quem duvida de que o medonho para uns, pode ser atraente para outros? Sabes, é daqui que eu distingo a verdadeira graça de pertencer a espécie racional.
Entretanto, para outros essa multiplicidade pode parecer perigosa, essa não adequação á categorias cartesianas impõe necessariamente uma barreira á ordem, afinal que regra sobreviveria á tantas exceções? O grande cranco do coletivismo é exatamente esse sufocamento arbitrário do individualismo; em função da promessa de justiça social entregamos a possibilidde da crítica existencial, seja material, imaterial ou coisa que o valha...
A cada vivência pessoal e individualizada nós moldamos um aparelho pessoal interpretativo da realidade que pouco terá de vulgar e nossas opiniões, comportamentos, aspirações consequentemente já de muito estarão determinadas. Como eu disse, a cada personalidade é estipulado um prazo único de leitura e posterior decomposição. Que mal tenho eu se só consigo enchergar tranquilidade e inspiração na matéria viva da natureza, se encontro beleza nesses estados cotidianos e naturais de putrefação? Se "uma melancolia solitária torna-se base de uma grande poesia lírica, e a fuga para a vida ídilica do campo, uma necessidade imperiosa provocada pelo mal-estar que os romanticos experimentam quando se encontram na cidade."? Então voltemos áquela infame sina da humanidade de que, vc sabe, até mesmo de sacos de fezes podem nascer flores, frutos e beldades!
domingo, 6 de junho de 2010
Aos que a sociedade suicidou.
Dêem-me espaço, pois eu preciso respirar, necessito da terra sob meus pé, de frutas frescas sobre meus olhos para me alimentar; dêem-me a vida que me sacaram quando me confinaram neste labirito de concreto: com vielas escuras, sem a sorte de Ariadne para me guiar e apenas olhares alheios a me suspeitar. Neste espaço cinza e estéril sufocam a cada dia nossa ânsia por transformar! E não negue corpo citadino, afinal como poderíamos enxergar se nossas vistas já estão supuradas de conformismo e indiferença?
É dessa ordinariedade anti-movimento que quero me libertar, dessa padronização do olhar, desse embrutecimento da sensibilidade imposta a cada dia sem cessar.Creem-me o sistema não pode nos parar, pois se mesmo entre as frestas de tijolos podem aspergir botões de rosas que nos impedirá de encontrarmos a verdadeira natureza da realidade? Por séculos nasceram entre nós seres capazes de penetrar o vazios do establishment comportamental, moral, artítico, etc para sobreviver em espaços pessoais de plena prcepção que, se particular, era também aglutinadora. Se duvidam. aventurensse sobre suas obras, sobre seus restos mortais de vivência que nossa sociedade ainda não queimou ou ingessou. Pois partimos desses mesmo passos, não para seguir em um mesmo rumo, mas sim, de uma mesma forma: libertária e inconciente. Chamaram a esta turba de loucos inconcequentes, mas seus esforços de represália seram mormente reflexos de pavores sonambulares.
Dedico estes escrito aos que a sociedade suicidou, aos que em batalhas individuais sucumbiram frente aos status quo sanitário. Resta nos, como orfãos desses mártires poéticos levar-mos oferendas a suas criptas, promover-mos odes laudatórias, mas acima de tudo, concretizar seus sonhos de impossibilidade!
É dessa ordinariedade anti-movimento que quero me libertar, dessa padronização do olhar, desse embrutecimento da sensibilidade imposta a cada dia sem cessar.Creem-me o sistema não pode nos parar, pois se mesmo entre as frestas de tijolos podem aspergir botões de rosas que nos impedirá de encontrarmos a verdadeira natureza da realidade? Por séculos nasceram entre nós seres capazes de penetrar o vazios do establishment comportamental, moral, artítico, etc para sobreviver em espaços pessoais de plena prcepção que, se particular, era também aglutinadora. Se duvidam. aventurensse sobre suas obras, sobre seus restos mortais de vivência que nossa sociedade ainda não queimou ou ingessou. Pois partimos desses mesmo passos, não para seguir em um mesmo rumo, mas sim, de uma mesma forma: libertária e inconciente. Chamaram a esta turba de loucos inconcequentes, mas seus esforços de represália seram mormente reflexos de pavores sonambulares.
Dedico estes escrito aos que a sociedade suicidou, aos que em batalhas individuais sucumbiram frente aos status quo sanitário. Resta nos, como orfãos desses mártires poéticos levar-mos oferendas a suas criptas, promover-mos odes laudatórias, mas acima de tudo, concretizar seus sonhos de impossibilidade!
domingo, 23 de maio de 2010
O que o autor está fazendo?
Quando infante eu costumava girar, rodopiar sobre o meu próprio eixo, de encontro a aspiral-de encontro a sincope, o que eu prentedia? Minha inspiração estava no movimento pelo movimento e a minha aspiração alçava ao mundo da imaginação. Toda aquela jogo de criança contemplava na verdade o processo criativo; não era deliberado, não era voluntário, o que estava em questão em minha mente juvenil era o afã e a roda. Simples e tangível para qualquer ingênuo exemplar da minha idade, mas o que eu descobria ao poucos era o pacto tácito entre imaginação e criação. Acordo poético assinado entre artistas e o patamar etéreo sem cláusulas de restrição. Então, por que tão pequena adesão?
Questão de pouca valia para aquele que abstraia de um estado clínico efêmero as asas para a imaginação. Sim, eu diviso no estágio antecessor a perda de conciência um princípio ativo para a criação. Se nem todos os homens são iguais também nem todos os processos de produção artística o serão, logo o que tenho aqui a propor é apenas um deles, a vertigem criativa! Perceba com claridade no movimento, no silvo da brisa e no desequilíbrio dos sentidos aquilo que pode chegar a expressar um objeto de curiosidade, atração e em tantos casos, admiração. Refaça então seus passos até a idade em que essa revolta corporal era comum e encontre nestes instantes seus pensamentos mais instigantes.
Reviva aquela força motriz de idéias e imagens, perceba nos tons claros e luminosos destas miragens distorcidas da vertigem o que os homens taxados de artistas plásticos ou loucos libertários chamaram de obra de arte e não se acanhe ao revelar que a criação artística está dentro de vc, é inerente a raça humana e sua razão subjetiva de viver.
Questão de pouca valia para aquele que abstraia de um estado clínico efêmero as asas para a imaginação. Sim, eu diviso no estágio antecessor a perda de conciência um princípio ativo para a criação. Se nem todos os homens são iguais também nem todos os processos de produção artística o serão, logo o que tenho aqui a propor é apenas um deles, a vertigem criativa! Perceba com claridade no movimento, no silvo da brisa e no desequilíbrio dos sentidos aquilo que pode chegar a expressar um objeto de curiosidade, atração e em tantos casos, admiração. Refaça então seus passos até a idade em que essa revolta corporal era comum e encontre nestes instantes seus pensamentos mais instigantes.
Reviva aquela força motriz de idéias e imagens, perceba nos tons claros e luminosos destas miragens distorcidas da vertigem o que os homens taxados de artistas plásticos ou loucos libertários chamaram de obra de arte e não se acanhe ao revelar que a criação artística está dentro de vc, é inerente a raça humana e sua razão subjetiva de viver.
Entrada só para os amantes de Arte
É uma curta caminhada de minha casa até a estação de trem, para torná-la atrativa e menos cotidiana eu a prolongo, traço um labirinto desnecessário por puro prazer; conduzindo por ruas estreitas e convidativas, sentimento de conforto expresso pelas bucólicas e pequenas casinhas que as rodeiam. Pequenas a princípio, porque minha experiência narrada aqui manifestará labirintos que eu jamais poderia espremer de minhas tolas jornadas matinais ou até mesmo impossíveis do próprio Dedalus conceber. Uma portinhola e nada mais, é assim que começo a minha história sem mais estas delongas iniciais.
Um convite, um iluminado e instigante letreiro que destoava de toda a paisagem; a mensagem, em letras garrafais e amigáveis, dizia: “Museu Lasar Segal - Entrada só para os amantes da Arte.”. “Que tal trazer um pouco de mais de cultura à minha vida?” foi o que pensei, idéia que mal tomara forma quando cinco minutos depois eu já estava entre os quadros, entre objetos que me suscitavam perguntas, entre olhos que perfaziam retratos ou auto retratos segundo outros, afinal pode ser qualquer coisa. Mas veja, eu que tanto queria desenhar uma narrativa, acabava cá a discutir sobre gêneros de pintura. Isso, pintura! isso era o foco de minha tela, quero dizer crônica; os dois no caso, pois não foram os objetos que, como fábulas, escorreram daquela superfícieeecheeeheheh arenosa e cubista das molduras?
Na exposição então, não era mais Segall quem me guiava, deixado livre transladava por meio àquelas vielas e becos de possibilidades até eu perceber que não eram apenas composições de óleo sobre tela, mas espelhos que refletiam um pouco do que eu era e mais do que eu poderei ser, quiçá um dos corpos cadavéricos e famélicos a espiar pela janela. E desse adensamento do olhar que, como uma curiosidade Alice, eu adentrava as diferentes portas sem nem saber se a passagem era minha ou se o artista permitiria. Em uma delas um primeiro grande abalo, uma sensação de aflição provocada por uma realidade nem um pouco abstracionista. O cenário era de medo e desengano, centenas imigrantes buscando refúgio no além mar contra os orgasmos políticos que explodiam seus lares e pátrias, muitos deles irmãos de meu anfitrião.
O trauma daquelas dores e a maresia do mar me fizeram regurgitar – um vômito de preces, elogios e desejos de esperança que vertiam de mim até transbordar do quadro para de novo me materializar naquele corredor de labirintos da mente humana. Contaria um pouco mais sobre as minhas outras viagens, sobre esses outros mundos da experiência humana, mas isso demandaria tempo e paciência para dizer-lhes o que aos poucos estamos aprendendo de que "a percepção, o sentimento das nuâncias na arte é uma espécie de treinamento não consciente para a percepção de outras coisas na vida.” Antes da despedida prematura receio uma última questão a despontar na curva final de minhas elucubrações e a faço para que o apito de partida não soe sem mim a saída de meu trem: será que eu poderia chamar tudo isso de mediação ou não?
Um convite, um iluminado e instigante letreiro que destoava de toda a paisagem; a mensagem, em letras garrafais e amigáveis, dizia: “Museu Lasar Segal - Entrada só para os amantes da Arte.”. “Que tal trazer um pouco de mais de cultura à minha vida?” foi o que pensei, idéia que mal tomara forma quando cinco minutos depois eu já estava entre os quadros, entre objetos que me suscitavam perguntas, entre olhos que perfaziam retratos ou auto retratos segundo outros, afinal pode ser qualquer coisa. Mas veja, eu que tanto queria desenhar uma narrativa, acabava cá a discutir sobre gêneros de pintura. Isso, pintura! isso era o foco de minha tela, quero dizer crônica; os dois no caso, pois não foram os objetos que, como fábulas, escorreram daquela superfícieeecheeeheheh arenosa e cubista das molduras?
Na exposição então, não era mais Segall quem me guiava, deixado livre transladava por meio àquelas vielas e becos de possibilidades até eu perceber que não eram apenas composições de óleo sobre tela, mas espelhos que refletiam um pouco do que eu era e mais do que eu poderei ser, quiçá um dos corpos cadavéricos e famélicos a espiar pela janela. E desse adensamento do olhar que, como uma curiosidade Alice, eu adentrava as diferentes portas sem nem saber se a passagem era minha ou se o artista permitiria. Em uma delas um primeiro grande abalo, uma sensação de aflição provocada por uma realidade nem um pouco abstracionista. O cenário era de medo e desengano, centenas imigrantes buscando refúgio no além mar contra os orgasmos políticos que explodiam seus lares e pátrias, muitos deles irmãos de meu anfitrião.
O trauma daquelas dores e a maresia do mar me fizeram regurgitar – um vômito de preces, elogios e desejos de esperança que vertiam de mim até transbordar do quadro para de novo me materializar naquele corredor de labirintos da mente humana. Contaria um pouco mais sobre as minhas outras viagens, sobre esses outros mundos da experiência humana, mas isso demandaria tempo e paciência para dizer-lhes o que aos poucos estamos aprendendo de que "a percepção, o sentimento das nuâncias na arte é uma espécie de treinamento não consciente para a percepção de outras coisas na vida.” Antes da despedida prematura receio uma última questão a despontar na curva final de minhas elucubrações e a faço para que o apito de partida não soe sem mim a saída de meu trem: será que eu poderia chamar tudo isso de mediação ou não?
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