Será que vc tem medo de mim? A aparência da realidade esconde mais do que as poucas palvras que trocamos podem dizer. Sinto então, que a fronteria que nos separa é impermeavel às verdades - aquelas cruas que ardem quando jogadas no rosto - pois o que constitui a nossa relação são as solicitudes indispensaveis de um contrato entre pai e filho. Mesmo assim, os inúmeros rompimentos e omissões me fazem crer que nossa torre de concreto não é tão transparente como cristal, porém é tão frágil quanto. Entretanto creio que o que realmente te anima é que a construímos juntos.
Durante todo o tempo tento esconder o que a minhas malcriações expressam de maneira tão inequívoca. Me perdoe, minha insatisfação as vezes é tão grande como o seu conformismo. Será que o amor parternal é tudo o que nos resta? Seria o suficiente para preencher esse vazio que eu sei que vc carrega? Mas até nisso apresentamos equivalências; temos grandes vazios que nunca se perfazem, a diferença no entanto esta no que usamos para intentar completar-los. Seria grande exagero dizer que me tornei o que sou hoje por influência sua? Se vc algum dia foi a medida de todas as coisas para mim, hoje é muito do que eu não quero ser. Palavras tão pesadas como essas fariam desmorar todo esse castelo de cartas que armou com toda a paciência que não tinha. Destruiriam aquilo que mais admiro em sua pessoa, sua ternura?
Relutei em muitos momentos da minha vida dispor em papel esses pensamentos que me molestavam tanto, estimulado hoje, regurgito o que tanto popei para a minha cabeça. É um pouco dessa necessidade de manifestação que eu entendo quantas vezes vc pretendia tolher. Pretendo sair dessa casa, contra sua vontade, mas não por despeito, raiva ou rebeldia. O que reservo para vc na verdade é justamente o oposto, respeito, compaixão e carinho; então saio, porque creio que vc me deu tudo o que eu precisava.
sábado, 28 de agosto de 2010
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Carinho estropiado
"Somos muitos os que andamos com o carinho estropiado, mas é preciso ter valor para tirá-lo de dentro estropiado e tudo. Acho, agora, que é algo que temos de aprender, como tantas coisas na vida."
É como um parto de alto risco, uma semente cultivada em um útero de merda que se agarra a essa possibilidade de nascimento - de vida - como se nada mais importasse. Porque sua própria existência depende dessa possibilidade; uma vida errante de solidão não alimenta um corpo com ânsias de carinho, por isso nos preparamos nesses nove meses de esperança ou duas décadas de ângustia para o que virá à luz do dia. Sinto o peso dessa necessidade, desse fruto que madura enquanto minha desesperança cercea seus ensejos de sobrevivência.
E meus passos são largos, mas lentos porque tento deixar meus ouvidos atentos para o seu derradeiro chamado que sinto, nunca escutarei. Busquei toda a minha vida o isolamente completo e absoluto porque o vazio das multidões terminava por me corromper e o cansaço que carregava comigo me impedia de me apaixonar por qualquer uma a mais passante que fosse.. E a solidão assim não me parecia tão ruim, pensando que tantos anos de desencontro comigo mesmo me fizeram tão mal, quiçá fosse a oportunidade para conhecer aquilo que o pessimismo escondia, minha salvaguarda. A melodia de seus suspiros juntaram um pouco da minha alma que estava esparramada, todavia essa procura por um retiro de pedras, frio e isolação me parece atraente. Me perdoe se sinto que tudo que tenho para dar ao mundo é esse grito surdo de felicidade que ecoará pela eternidade nesses inóspitos rincões da Terra.
Será que a humanidade aceitará mais esse ser enjeitado que procriei entre páginas garranchudas e amareladas de meus livros e anotações? Teus braços se abriram para este carinho estropiado gerado por meus amores antepassados? Não importa, saibas apenas que no próximo verão baterei sua porta e oferecerei o meu coração ignorando a reciprocidade de seu colo.
É como um parto de alto risco, uma semente cultivada em um útero de merda que se agarra a essa possibilidade de nascimento - de vida - como se nada mais importasse. Porque sua própria existência depende dessa possibilidade; uma vida errante de solidão não alimenta um corpo com ânsias de carinho, por isso nos preparamos nesses nove meses de esperança ou duas décadas de ângustia para o que virá à luz do dia. Sinto o peso dessa necessidade, desse fruto que madura enquanto minha desesperança cercea seus ensejos de sobrevivência.
E meus passos são largos, mas lentos porque tento deixar meus ouvidos atentos para o seu derradeiro chamado que sinto, nunca escutarei. Busquei toda a minha vida o isolamente completo e absoluto porque o vazio das multidões terminava por me corromper e o cansaço que carregava comigo me impedia de me apaixonar por qualquer uma a mais passante que fosse.. E a solidão assim não me parecia tão ruim, pensando que tantos anos de desencontro comigo mesmo me fizeram tão mal, quiçá fosse a oportunidade para conhecer aquilo que o pessimismo escondia, minha salvaguarda. A melodia de seus suspiros juntaram um pouco da minha alma que estava esparramada, todavia essa procura por um retiro de pedras, frio e isolação me parece atraente. Me perdoe se sinto que tudo que tenho para dar ao mundo é esse grito surdo de felicidade que ecoará pela eternidade nesses inóspitos rincões da Terra.
Será que a humanidade aceitará mais esse ser enjeitado que procriei entre páginas garranchudas e amareladas de meus livros e anotações? Teus braços se abriram para este carinho estropiado gerado por meus amores antepassados? Não importa, saibas apenas que no próximo verão baterei sua porta e oferecerei o meu coração ignorando a reciprocidade de seu colo.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
¡¿Grande pedaço de merda, hein?!
Por que tantos conflitos internos, por que tanta tensão, por que tanta incompetência? Te colocaram para viver entre os homens para que sinta necessidade de fugir deles? Todo esse desconforto tece o nó do meu enforcamento. Renascimento na sala de jantar e toda a eternidade para reaver meu fôlego; ar que falta a um peito cansado e curvado, arco que se acentua a cada dia mais com a intemperança dessa rotina; cotidiano de uma multidão de gente que não quero conhecer, lugares que não quero visitar e coisas que não quero fazer... Então, por que continuar tentando?
Sim querida, me sinto desgraçado essa noite e esse ar gelado só me faz querer uivar, uivar durante toda a noite. Por que tudo isso, vc pergunta? Minha resposta sem sentido, assim como toda a minha vida, seria: me dou melhor com as estrelas do que com os homens.
Auuuuuuuuu!
terça-feira, 27 de julho de 2010
¿Adios?
Nasceu em uma tarde fria e pesarosa, debilitado e sedento por vermes, aquela criatura não podia balbuciar mais do que alguns agudos e intermitentes pedidos de auxílio para aquela mancha negra que bloqueava sua vista. Sua protetora e progenitora atendia licenciosamente as necessidades que um foco de vida nascente clamava. Foram alguns dias ou talvez semanas - para um amor incondicional o tempo não é uma questão importante - de dedicação e oração. A fase de dependência atravessava a incerteza da sobrevivência de um físico prematuro para alcançar as frias conseqüências da liberdade.
A frieza se traduz em ingratidão e abandono; dor que é dissimulada com o orgulho e respeito pelas proezas de um espírito principiante e pujante. Auto-suficiência aqui é também desobediência de um peito robusto, asas estendidas e lá se vai a prole em sua primeira aventura. Não há despedidas nos processos biológicos naturais e por isso também não existem lágrimas. O aconchego e calor de um ninho de gramíneas e penas velhas não chegam aos residentes do céu, então, porque tanta resistência a uma certeza? Desconsolo ou desacomodação a uma nova situação? Essa é a historia de um abrigo vazio e quantos a minha vida já não teve...
Sem qualquer suspiro de angustia a madre de crias e sentimentos pródigos permanece imóvel enquanto um dos frutos de seu útero ganha o ar e mergulha para longe de seu seio. Hastes delgadas que guiam um ponto negro ao infinito do horizonte. Quadro que se repetirá não apenas em tantas outras arvores, mas também muitas vezes mais nesse mesmo galho que o desprendimento e resignação cultivou-se com tanto carinho e ternura.
domingo, 18 de julho de 2010
Um dos lugares em que nasci
Como posso definir o lugar donde nasci se sinto que em cada lugar que estive dessa vida existe uma relação de pertencimento? Se o que sou hoje não passa de uma antologia de experiências que desfrutei e que cada nova estrada me toma por uma pessoa diferente. Trairia minha pátria ao dedicar meus dias a um outro povo? Olvidaria meus antigos valores e costumes familiares ao me entregar a um rotina distinta? Mais do que uma vocação a ser viajero, o que tenho é esse desejo profundo e intermitente que não se ilude com os ideais de estabilidade e comodidade – um querer demasiado ao mundo e a todos os seus viventes – sei que esse é a verdadeira utopia do cosmopolita, porém o que posso fazer se elegi como nação a terra que meus pés descalços tocam?
Envolto em seus braços desnudos e sentindo os suspiros de seu prazer chego até a cambalear, pensar em meu instinto natural como um grande embuste e sentir que em seu leito estarei sempre seguro e satisfeito. Fantasia que transborda nessa sensação de acolhimento incondicional, prazer simples e honrado, contudo o medo da reprovação me espreita e acostado junto ao meu corpo resfriado me faz, ao despertar, querer fugir e deixar no passado o que poderia ser meu futuro. Todas essas queixas do meu espírito caprichoso me servem para validar o que aprendi enquanto o asfalto comia os pneus da minha carroça... “em esses anos de vida nascemos e morremos muitas vezes.” Nasci nesse oásis de espírito deixando para este corpo fatigado um pouco de descanso, amparo criado no seio da hospitalidade de uma família mendocita e no acento de sua palavras carinhosas.
O que as vezes pode te custar a entender é um pensamento deveras mesquinho e quiçá inconseqüente – cosmopolitismo exacerbado, entretanto é o que acende a chama de minha ânsia pela vida e que sustenta minha coluna curvada pelas dores cotidianas. Lembre de minha palavras, lembre de meus modos e não se esqueça que hoje todos os meus beijos são para vos, porque, em contrapartida, é somente isso que preciso levar de sua terra e de você.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Seras el lugar que busco?
"- sabes que? ahora me hiciste acordar
- hay un lugar en mendoza que se llama isidro
- isidro es un lugar en la montaña, no muy alto, en donde hay energia pura y absoluta
- te voy a llevar si podemos
- viene gente de todo el mundo
- dice que es porque es sol tiene una coneccion directa con el centro de la tierra
- vienen muchos a estudiar ese terreno
de todo elmundo
- es un lugar muy cuidado,muy reservado
cerca de un lugar al que llamamos challao
- mi mamá fue un par de veces, yo no he ido
- estas bien?
- que pensas?
- quien sos vos ?
- con miedo a vivir?
- o con miedo a encontrarte con vos mismo?
- creo que sos el unico que sabe quien sos realmente, solo Dios y vos
- sos el unico dueño de tu verdad"
- hay un lugar en mendoza que se llama isidro
- isidro es un lugar en la montaña, no muy alto, en donde hay energia pura y absoluta
- te voy a llevar si podemos
- viene gente de todo el mundo
- dice que es porque es sol tiene una coneccion directa con el centro de la tierra
- vienen muchos a estudiar ese terreno
de todo elmundo
- es un lugar muy cuidado,muy reservado
cerca de un lugar al que llamamos challao
- mi mamá fue un par de veces, yo no he ido
- estas bien?
- que pensas?
- quien sos vos ?
- con miedo a vivir?
- o con miedo a encontrarte con vos mismo?
- creo que sos el unico que sabe quien sos realmente, solo Dios y vos
- sos el unico dueño de tu verdad"
This is the end, my only friend, the end
Se nos colocamos em busca do infinito, do labirinto ou do além o que deve realmente estar posto são os caminhos que tal peregrinação tomará. Se aspiramos ao desconhecido o certo é que não existem estradas únicas e verdades inexoraveis, importa então somente que nossa trip de autodescoberta não colida com trilhas alheias e com um feitio egoísta congestione toda a Via-láctea. Todos os córregoss desembocam no ralo do absoluto e se todas as ideologias estão mortas, por que não revivermos as crenças pagãs passadas para nos darmos uma existência menos dolorosa?
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