quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Existe uma metade de mim que ainda me espera?

Se existe, já faz muito tempo que se foi; os mesmos novos ares que buscava foram os que a levaram para longe de seu par. Mas será mesmo que foi ela quem me abandonou ou ao contrário? Estará me esperando em algum lugar, cujo o conjunto do ambiente, espera no fazer reconciliar? Estará magoada e arrenpendida de ter partido? As vezes penso que nasci mesmo para viver despedaçado. Como prato quebrado onde mil cacos se espalham pelo chão... por mais resoluta que seja a escova que varre sempre havará daqueles que se infiltram no frestas mais inacessíveis dos móveis.
Assim também é a condição em que - imagino - se encontra essa outra parte de mim que me abandonou. O que deve estar fazendo enquanto isso? Pior que essa minha fase não-linear de leitura e redação é essa desorganização de lembranças e pensamentos que agora reina em minha cabeça. Não tenho idéia do que eu seria se esta outra metade aqui estivesse; talvez esse desconhecimento, que eu possa estar confundindo com esquecimento, explique o fato de eu estar sentindo falta dessa parte ausente. E donde será esse lugar tão melhor do qual eu vivo hoje? É raro ouvir de novo sua voz, engraçado mas parece mesmo que as reminiscências no fazem cócegas na barriga.
Certo mesmo é que eu não vou me desgastar na espera e tampouco na procura, o que tenho aqui é demais precioso para que eu me aventure por eldourados invisíveis. Entretanto, o que não posso negligenciar também é a possibilidade de que algum dia esse rio que conduz a minha e a história de todos me leve para lugares aonde nunca sonhei estar.

domingo, 5 de setembro de 2010

Imagens do Inconsciente

Deixa esse novo amor chegar
Mesmo que depois
Seja imprescindível chorar

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Exílio

Foi um exílio involutário este imposto sobre a minha vida, de um golpe minha rotina foi alijada e fui obrigado a fazer novos amigos sem estar descontente com os antigos. Conto essa história não para lamentar de meus pesares, mas simplesmente para preservar na memória aqueles que não tiveram a mesma sorte que a minha e para fazer crer a mim mesmo que não estou louco. Escrever foi o único remédio contra a solidão que encontrei na cidade natal que não sabe mais quem eu sou. Tento me apresentar a ela todos os dias, mas não é só a indifireça que responde, é também o medo.
Foi naquela tarde de príncipio de agosto após o meu retorno que percebi que ainda estava em exílio. Eram as mesmas ruas e as mesma feições circulantes - paracia que nada havia mudado - cheguei até a reconhecer aquele mendigo que costumava repousar na esquina da Santa Fé com a Uraguay a quem eu já havia ofertado algumas moedas. Entrando no restaurante que era de meu gosto desde os tempos da juventude tudo o que queria era cumprimentar o velho Jorge que sempre me atendia com um sorriso no rosto. Entretanto, o que era o calor de uma amizade passou para o frio tratamento de um seviço comum, um cliente qualquer era o estava em sua frente.
- Hola, Jorge! Como estas?
- Bien, lo que vos deseas?
- No te acordas de mi?
- No, quien sos?
Era assim em todos os lugares e com todas as pessoas, a maiorias de meus conhecidos se quer estendiam a mão, prefiriam correr, fugir do meu fantasma. Os anos me apagaram de suas memórias ou envelheceram o meu rosto por demais? Sentir essa solidão em meu próprio páis não se comparava a qualquer desterro. Se eu não era mais nada para eles o que poderia ser para mim mesmo? E esse vazio interno me comia a medida que percebia que meus amigos de infância também haviam desaparecido. Se eu era extrangeiro aonde havia nascido donde estaria a minha pátria? Minha busca continuou pelos bares e café que a insônia me impelia a frequentar, até que um dia uma linda mulher se aproximou de minha mesa e perguntou: "- Vicente!, donde estebe por tantos anõs?" Eu não a reconheci e foi então que percebi que já estava morto a muito tempo.

sábado, 28 de agosto de 2010

Carta não entregue

Será que vc tem medo de mim? A aparência da realidade esconde mais do que as poucas palvras que trocamos podem dizer. Sinto então, que a fronteria que nos separa é impermeavel às verdades - aquelas cruas que ardem quando jogadas no rosto - pois o que constitui a nossa relação são as solicitudes indispensaveis de um contrato entre pai e filho. Mesmo assim, os inúmeros rompimentos e omissões me fazem crer que nossa torre de concreto não é tão transparente como cristal, porém é tão frágil quanto. Entretanto creio que o que realmente te anima é que a construímos juntos.
Durante todo o tempo tento esconder o que a minhas malcriações expressam de maneira tão inequívoca. Me perdoe, minha insatisfação as vezes é tão grande como o seu conformismo. Será que o amor parternal é tudo o que nos resta? Seria o suficiente para preencher esse vazio que eu sei que vc carrega? Mas até nisso apresentamos equivalências; temos grandes vazios que nunca se perfazem, a diferença no entanto esta no que usamos para intentar completar-los. Seria grande exagero dizer que me tornei o que sou hoje por influência sua? Se vc algum dia foi a medida de todas as coisas para mim, hoje é muito do que eu não quero ser. Palavras tão pesadas como essas fariam desmorar todo esse castelo de cartas que armou com toda a paciência que não tinha. Destruiriam aquilo que mais admiro em sua pessoa, sua ternura?
Relutei em muitos momentos da minha vida dispor em papel esses pensamentos que me molestavam tanto, estimulado hoje, regurgito o que tanto popei para a minha cabeça. É um pouco dessa necessidade de manifestação que eu entendo quantas vezes vc pretendia tolher. Pretendo sair dessa casa, contra sua vontade, mas não por despeito, raiva ou rebeldia. O que reservo para vc na verdade é justamente o oposto, respeito, compaixão e carinho; então saio, porque creio que vc me deu tudo o que eu precisava.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Carinho estropiado

"Somos muitos os que andamos com o carinho estropiado, mas é preciso ter valor para tirá-lo de dentro estropiado e tudo. Acho, agora, que é algo que temos de aprender, como tantas coisas na vida."

É como um parto de alto risco, uma semente cultivada em um útero de merda que se agarra a essa possibilidade de nascimento - de vida - como se nada mais importasse. Porque sua própria existência depende dessa possibilidade; uma vida errante de solidão não alimenta um corpo com ânsias de carinho, por isso nos preparamos nesses nove meses de esperança ou duas décadas de ângustia para o que virá à luz do dia. Sinto o peso dessa necessidade, desse fruto que madura enquanto minha desesperança cercea seus ensejos de sobrevivência.
E meus passos são largos, mas lentos porque tento deixar meus ouvidos atentos para o seu derradeiro chamado que sinto, nunca escutarei. Busquei toda a minha vida o isolamente completo e absoluto porque o vazio das multidões terminava por me corromper e o cansaço que carregava comigo me impedia de me apaixonar por qualquer uma a mais passante que fosse.. E a solidão assim não me parecia tão ruim, pensando que tantos anos de desencontro comigo mesmo me fizeram tão mal, quiçá fosse a oportunidade para conhecer aquilo que o pessimismo escondia, minha salvaguarda. A melodia de seus suspiros juntaram um pouco da minha alma que estava esparramada, todavia essa procura por um retiro de pedras, frio e isolação me parece atraente. Me perdoe se sinto que tudo que tenho para dar ao mundo é esse grito surdo de felicidade que ecoará pela eternidade nesses inóspitos rincões da Terra.
Será que a humanidade aceitará mais esse ser enjeitado que procriei entre páginas garranchudas e amareladas de meus livros e anotações? Teus braços se abriram para este carinho estropiado gerado por meus amores antepassados? Não importa, saibas apenas que no próximo verão baterei sua porta e oferecerei o meu coração ignorando a reciprocidade de seu colo.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

¡¿Grande pedaço de merda, hein?!

Por que tantos conflitos internos, por que tanta tensão, por que tanta incompetência? Te colocaram para viver entre os homens para que sinta necessidade de fugir deles? Todo esse desconforto tece o nó do meu enforcamento. Renascimento na sala de jantar e toda a eternidade para reaver meu fôlego; ar que falta a um peito cansado e curvado, arco que se acentua a cada dia mais com a intemperança dessa rotina; cotidiano de uma multidão de gente que não quero conhecer, lugares que não quero visitar e coisas que não quero fazer... Então, por que continuar tentando?
Sim querida, me sinto desgraçado essa noite e esse ar gelado só me faz querer uivar, uivar durante toda a noite. Por que tudo isso, vc pergunta? Minha resposta sem sentido, assim como toda a minha vida, seria: me dou melhor com as estrelas do que com os homens.

Auuuuuuuuu!

terça-feira, 27 de julho de 2010

¿Adios?

Nasceu em uma tarde fria e pesarosa, debilitado e sedento por vermes, aquela criatura não podia balbuciar mais do que alguns agudos e intermitentes pedidos de auxílio para aquela mancha negra que bloqueava sua vista. Sua protetora e progenitora atendia licenciosamente as necessidades que um foco de vida nascente clamava. Foram alguns dias ou talvez semanas - para um amor incondicional o tempo não é uma questão importante - de dedicação e oração. A fase de dependência atravessava a incerteza da sobrevivência de um físico prematuro para alcançar as frias conseqüências da liberdade.
A frieza se traduz em ingratidão e abandono; dor que é dissimulada com o orgulho e respeito pelas proezas de um espírito principiante e pujante. Auto-suficiência aqui é também desobediência de um peito robusto, asas estendidas e lá se vai a prole em sua primeira aventura. Não há despedidas nos processos biológicos naturais e por isso também não existem lágrimas. O aconchego e calor de um ninho de gramíneas e penas velhas não chegam aos residentes do céu, então, porque tanta resistência a uma certeza? Desconsolo ou desacomodação a uma nova situação? Essa é a historia de um abrigo vazio e quantos a minha vida já não teve...
Sem qualquer suspiro de angustia a madre de crias e sentimentos pródigos permanece imóvel enquanto um dos frutos de seu útero ganha o ar e mergulha para longe de seu seio. Hastes delgadas que guiam um ponto negro ao infinito do horizonte. Quadro que se repetirá não apenas em tantas outras arvores, mas também muitas vezes mais nesse mesmo galho que o desprendimento e resignação cultivou-se com tanto carinho e ternura.