sábado, 22 de novembro de 2008

Diálogos

- Então vc cortou relações com alguém com quem vc desfrutava ter longos diálogos simplesmente por causa de uma interjeição, algo que faz necessáriamente parte de um diálogo ?!
- É...
- Ah, fernando, as vezes vc é tão medíocre.
- Eu sei...

Isso-isso!
Assim fernando quem sabe vc não conseguirá afastar de forma inconciênte, inadvertida e involutária todas as pessoas que algum dia chegaram a gostar de vc, meu parabéns!?

Mil vivas a seu 'dia' em sua vida 'comum'!

domingo, 9 de novembro de 2008

"As Horas"

"-Quando vc saiu daquela casa antiga e vc tinha 18 anos e eu talvez tivesse 19... Eu tinha 19 anos de idade e jamais tinha visto algo tão bonito. Vc, saindo pela porta de vidro de manhã, ainda sonolenta. Não é estranho ? Uma manhã tão comum na vida de qualquer uma pessoa..."

Entre o desejo e a recordação..

Foi a comoção de narrativas embaralhadas e entrelaçadas, foi o desapego ao mundo e o amparo das palavras ou foi uma tradução enviesada? Não, é o toque que esquenta meu corpo, é a memória que arrefece meu ânimo, é a sensação de medo e pânico que translucida minha alma! Não sei, talvez tivessem sido as lembranças despertadas, as cenas penosas ou esses instantes juntos, mas a vida não passou tão devagar ou sou eu quem está divagando ?

sábado, 8 de novembro de 2008

Máximas

"Vc é bom, quando vc é ruim!"

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

[...]

O que há ai para mim; uma mão, uma migalha ou uma troça?

domingo, 26 de outubro de 2008

O professor filósofo

"De todas as ciências que se inculca na cabeça de uma criança quando se trabalha em sua educação, os mistérios do cristianismo, ainda que uma das mais sublimes matérias dessa educação, sem dúvida não são, entretanto, aquelas que se introjetam com mais facilidade no seu jovem espírito. Persuadir, por exemplo, um jovem de catorze ou quinze anos de que Deus pai e Deus filho são apenas um, de que o filho é consubstancial com respeito ao pai e que o pai o é com respeito ao filho, etc, tudo isso, por mais necessário à felicidade da vida, é, contudo, mais difícil de fazer entender do que a álgebra, e quando queremos obter êxito, somos obrigados a empregar certos procedimentos físicos, certas explicações concretas que, por mais que desproporcionais, facultam, todavia, a um jovem, compreensão do objeto misterioso.
Ninguém estava mais profundamente afeito a esse método do que o abade Du Parquet, preceptor do jovem conde de Nerceuil, de mais ou menos quinze anos e com o mais belo rosto que é possível ver.
- Senhor abade, - dizia diariamente o pequeno conde a seu professor - na verdade, a consubstanciação é algo que está além das minhas forças; é-me absolutamente impossível compreender que duas pessoas possam formar uma só: explicai-me esse mistério, rogo-vos, ou pelo menos colocai-o a meu alcance.
O honesto abade, orgulhoso de obter êxito em sua educação, contente de poder proporcionar ao aluno tudo o que poderia fazer dele, um dia, uma pessoa de bem, imaginou um meio bastante agradável de dirimir as dificuldades que embaraçavam o conde, e esse meio, tomado à natureza, devia necessariamente surtir efeito. Mandou que buscassem em sua casa uma jovem de treze a catorze anos, e, tendo instruído bem a mimosa, fez com que se unisse a seu jovem aluno.
- Pois bem, - disse-lhe o abade - agora, meu amigo, concebas o mistério da consubstanciação: compreendes com menos dificuldade que é possível que duas pessoas constituam uma só?
- Oh! meu Deus, sim, senhor abade, - diz o encantador energúmeno - agora compreendo tudo com uma facilidade surpreendente; não me admira esse mistério constituir, segundo se diz, toda a alegria das pessoas celestiais, pois é bem agradável quando se é dois a divertir-se em fazer um só.
Dias depois, o pequeno conde pediu ao professor que lhe desse outra aula, porque, conforme afirmava, algo havia ainda “no mistério” que ele não compreendia muito bem, e que só poderia ser explicado celebrando-o uma vez mais, assim como já o fizera. O complacente abade, a quem tal cena diverte tanto quanto a seu aluno, manda trazer de volta a jovem, e a lição recomeça, mas desta vez, o abade particularmente emocionado com a deliciosa visão que lhe apresentava o belo pequeno de Nerceuil consubstanciando-se com sua companheira, não pôde evitar colocar-se como o terceiro na explicação da parábola evangélica, e as belezas por que suas mãos haviam de deslizar para tanto acabaram inflamando-o totalmente.
- Parece-me que vai demasiado rápido, - diz Du Parquet, agarrando os quadris do pequeno conde muita elasticidade nos movimentos, de onde resulta que a conjunção, não sendo mais tão íntima, apresenta bem menos a imagem do mistério que se procura aqui demonstrar... Se fixássemos, sim... dessa maneira, diz o velhaco, devolvendo a seu aluno o que este empresta à jovem.
- Ah! Oh! meu Deus, o senhor me faz mal - diz o jovem - mas essa cerimônia parece-me inútil; o que ela me acrescenta com relação ao mistério?
- Por Deus! - diz o abade, balbuciando de prazer - não vês, caro amigo, que te ensino tudo ao mesmo tempo? É a trindade, meu filho... é a trindade que hoje te explico; mais cinco ou seis lições iguais a esta e serás doutor na Sorbornne."

Sade, mais provocativo e impudico impossível, na verdade possível e sádico também...

sábado, 25 de outubro de 2008

"O que vc faria [se o mundo acabasse]?"

Faria tudo o que sempre esteve ao meu alcance mas que tanto me neguei a ter! Meus medos pessoais, meus ordenamentos morais, meu ideal de ética renegaria a tudo isto para satisfazer minhas vontades e necessidades que mais prazeirosas me fossem e para aproveitar esta última oportunidade...

[...]

Não acabaram!
Noite horrível-horrível de ontem...