Ah, morrer de ventura! Um plebeu como eu, vendo derramado a meus pés duas das senhoritas de maior estirpe da França! Como pode ser? O caminhos que infortunadamente a vida me fez percorrer me conduzem para aqui, neste calabouço de penúria, para o que serão os meus úlitmos dias... Sabes, minha amiga, acho que posso agradecer tal destino que a providência me proporcionou, toda minha felicidade está agora neste singelo prazer de tocar tão doces mãos conduzidas por este braços nus e delicados. Cinco anos a mais contigo é o que peço a ti, Deus todo poderoso, despótico e vingativo que as horas de vigília sob a luz da bíblia me apresentaram. A dignidade e a impassividade de minha expressão me guiarão até o cadafalso; que amarguem meus inimigos ao não divisarem em meus olhos a cor do desespero que lhes da gosto. Estes são meus últimos pensamento, registrados aqui, na primeira pessoa de Julien de Sorel.
Vinte e três anos não foram o suficiente para a conquista de meus objetivos, as glórias que me traíram as vestes vermelha e negra são contadas com sofreguidão por aquele que as perto chegou de sua posse, um pequeno-burguês filho de carpinteiro, quem diria?! A memória que me foi agraciada guarda a narrativa desta história, em um tempo infinito, tenho a certeza de que perdurará pelos séculos nas vezes em que cada leitor me legar suas horas de atenção e paixão. Meu gênio incomum e talento me trouxeram a fama que por sua vez, fez procriar tantas inimizades. Teriam me chamado de Jacobino se provas lhe permitissem e se pois, não estivessem por demais apreensivos com suas cabeças, ameaçadas que eram pela sombra da Revolução que ainda pairava sobre os céus. Intensidade, é deste adjetivo que lanço mão para descrever cada um dos percalços sofridos em minhas andaças - com ele combati a invenja, o orgulho e o desprezo; teria mais vitórias se com diligência me colocasse ao lado de Napoleão no derradeiro front.
O século XIX das dissimulações guarda consigo o erro de senhorita de la Mole em não ter se submetido desde a primeira hora ao amor que lhe fez verter lágrimas sobre a minha cabeça dessepada enquanto a enterrava na terra remechida, unicamente por suas mãos. Esta gruta então, que domina a montanha de Verrières será meu sepulcro e local de alento para o caração dos amantes fustigados que, se eu não pude me dizer guilhotinado, dirão eles isto e todas as confidências que retive amargamente.
Devo-lhe perdão e amor por desonrar-te e isto é tudo!
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Death is nothing
A morte é a última de nossas preocupações, pensando nesse aforismo, me deparei com um labirinto de referências, perspectivas tomadas muito antes de mim e motivadas por experiências mais altivas que as minhas; afinal, o que eu poderia oferecer de grave para enriquecer esse quadro de sensações e reflexões? Tenho por mim uma criatura impassível e austera quanto aos enigmas do além tumulo - se não quiser que eu confesse aqui, a minha total descrença. Ontem eu assistia a agonia de um pertubador e duradouro grito de desespero, sentia-me impotente e da mesma forma inclinado a reverberar aquela expressão muda de remorso intestinal. Porque é assim que eu me sinto; dono de uma voz silenciosa e desamparada, percebo o significado de um caminhar solitário em meio a multidão.
Eram dessas insatisfações e frustrações que, como acúmulo de pedrinhas no meu bolço, tornam-se mais claras quando do drama de alguém que se aproxima do fim ou quando sua fala se remete a este. Pois, encontrar o termo de tanto anos de existência deveria mesmo ser encarado com infelicidade? Ou antes, não digo o contrário, mas como a plena satisfação do sentido que uma vida poderia ter? Creio que é no alvorecer destes últimos instantes que devemos nos assomar de dignidade e resignação para o derradeiro sermão que a vida nos presta. É neste suspiro último que apresentaremos o valor que tivemos por tantos e tantos anos de noviciado. Para muitos, essa verdade somente será revelada nos momentos finais, quando pensarmos estar ouvindo o toque dos clarins que compõe a melodia dos anjos, olvidamos assim, pouco a pouco de uma realidade tão penosa. Descontentes não, agraciados sim, com um pranto de glória e gratidão.
Penso também que tal experiência não é reservada a todos os espíritos ordenados nas fileiras da humanidade. Haverão àquele que tomada de assalto, a morte lhes poupará de qualquer juízo, após que, depois das fronteiras terrenas temo não poder mais conjecturar. Dessa forma, entrevejo apenas contentamento em um falecimento que se aproxima paulatinamente ou naquele que tem sua data marcada. Diferentemente daqueles que pensam em um calvário, prefiro imaginá-lo como redenção.
Prolongar nossa passagem por estas bandas é, acredite, também fazer recrudescer o número de nossos pesares. Como o cisnei que ao se aperceber da chegada do que serão seus momentos finais ecoa o mais belo de seus cantos, eu, igualmente, quero estar pronto e desejoso de apreço.
Eram dessas insatisfações e frustrações que, como acúmulo de pedrinhas no meu bolço, tornam-se mais claras quando do drama de alguém que se aproxima do fim ou quando sua fala se remete a este. Pois, encontrar o termo de tanto anos de existência deveria mesmo ser encarado com infelicidade? Ou antes, não digo o contrário, mas como a plena satisfação do sentido que uma vida poderia ter? Creio que é no alvorecer destes últimos instantes que devemos nos assomar de dignidade e resignação para o derradeiro sermão que a vida nos presta. É neste suspiro último que apresentaremos o valor que tivemos por tantos e tantos anos de noviciado. Para muitos, essa verdade somente será revelada nos momentos finais, quando pensarmos estar ouvindo o toque dos clarins que compõe a melodia dos anjos, olvidamos assim, pouco a pouco de uma realidade tão penosa. Descontentes não, agraciados sim, com um pranto de glória e gratidão.
Penso também que tal experiência não é reservada a todos os espíritos ordenados nas fileiras da humanidade. Haverão àquele que tomada de assalto, a morte lhes poupará de qualquer juízo, após que, depois das fronteiras terrenas temo não poder mais conjecturar. Dessa forma, entrevejo apenas contentamento em um falecimento que se aproxima paulatinamente ou naquele que tem sua data marcada. Diferentemente daqueles que pensam em um calvário, prefiro imaginá-lo como redenção.
Prolongar nossa passagem por estas bandas é, acredite, também fazer recrudescer o número de nossos pesares. Como o cisnei que ao se aperceber da chegada do que serão seus momentos finais ecoa o mais belo de seus cantos, eu, igualmente, quero estar pronto e desejoso de apreço.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Uma noite de Julien e senhora de Rênal
A doçura de uma relação só pode ser descrita nos detalhes; um toque cadenciado ou um mero olhar compõe o que de mais prazeiroso é oferecido aos olhares escusos. Entretanto, o quadro do qual eu pretendo revelar algumas pincelas se furta aos tratos delicados e privilegia somente os mais violentos. Alçar-se à varanda de um amor proibido na calada da noite pode não ser mais perigoso que enfrentar a dama a qual as janelas encerram. O que se permite então, bisbilhotar pelas frestas é uma lengalenga de aproximações e rechaços, arranhões e mordidas, um jogo de inteções dúbias. O que a débil resistência da senhora de Rênal tenta impor? Não sabe que ao menor vacilo de suas convicções ela tombará frente a tentação?
Continuamos então, a encenar os belos papéis que proporcionavam gozações contidas e bons vídeos, mas nos atentavamos antes às desavenças já superadas, ou pelo menos entedidas por mim, Julien, como tal; pois me contradizia o progresso de horas de palestras travadas, onde eu via uma a uma, suas provas desprezadas. "Uma alma como a de Julien há de ser acompanhada por toda a vida por recordações como essas." No entanto, o que prendia a minha atenção durante as longas horas/minutos de silêncio era a inclinação que me levava a refletir sobre as pequenas causas em detrimento das grandes questões.
Algo que sempre me foi considerado motivo de extravagância era essa crença afiançada em um marco temporal. Efeito colateral do meu pessimismo ou não, meu desgoto por esse costume estava patente em minhas ações. Pretexto para festividade ou pura fé coletiva? Antes tal explosão de alegria imoderada fosse ocasionada pela filosofia do tempo intrísseca e não por mera convenção do calendário gregoriano. Porque, quero sua sinceridade, por um caso uma nova era se estenderá com o raiar do novo dia aos nossos olhos? Não e vc sabe, teremos no mínimo uma nova folha de calendário pregada na parede.
Essa relação do tempo/calendário com a sociedade atual me é ainda obscura, talvez a idéia de mudança ao final de cada um dos ciclos de 365 dias esteja na concepção linear e progressiva do tempo, mas não sei... Sinto antes, que minha discussão particular não teria sido abreviada tão precocemente se eu não tivesse dado-me ao trabalho de degladiar com a dama das contradições que acha graça em tais querelas.
Continuamos então, a encenar os belos papéis que proporcionavam gozações contidas e bons vídeos, mas nos atentavamos antes às desavenças já superadas, ou pelo menos entedidas por mim, Julien, como tal; pois me contradizia o progresso de horas de palestras travadas, onde eu via uma a uma, suas provas desprezadas. "Uma alma como a de Julien há de ser acompanhada por toda a vida por recordações como essas." No entanto, o que prendia a minha atenção durante as longas horas/minutos de silêncio era a inclinação que me levava a refletir sobre as pequenas causas em detrimento das grandes questões.
Algo que sempre me foi considerado motivo de extravagância era essa crença afiançada em um marco temporal. Efeito colateral do meu pessimismo ou não, meu desgoto por esse costume estava patente em minhas ações. Pretexto para festividade ou pura fé coletiva? Antes tal explosão de alegria imoderada fosse ocasionada pela filosofia do tempo intrísseca e não por mera convenção do calendário gregoriano. Porque, quero sua sinceridade, por um caso uma nova era se estenderá com o raiar do novo dia aos nossos olhos? Não e vc sabe, teremos no mínimo uma nova folha de calendário pregada na parede.
Essa relação do tempo/calendário com a sociedade atual me é ainda obscura, talvez a idéia de mudança ao final de cada um dos ciclos de 365 dias esteja na concepção linear e progressiva do tempo, mas não sei... Sinto antes, que minha discussão particular não teria sido abreviada tão precocemente se eu não tivesse dado-me ao trabalho de degladiar com a dama das contradições que acha graça em tais querelas.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Solidariedade proletária
"A Revolução é feita com sangue!", dita estas palavras, seus olhos brilhavam de uma cor parecida com a da vingança. Rutilância obscura e atraente, envolvia a todos em um discurso de transformação e beneficiência. Uma multidão de esfaimados o ouvia na praça central - refletia-se, em contrapartida, em suas retinas não apenas a imagem de um colosso impávido com microfone na mão - mas também a voz da expectativa. Para muitos, não a primeira e nem a última, mas a única chance trazida por um guia de frases impactantes e de carisma perigoso. A direção do movimento estava apontada, bastava segui-la com sacríficio e coragem em punhos, sentimentos em falta onde muitos estavam guarnecidos apenas de pedras e foices.
As fileiras de esperanças avançavam, contra a incerteza e o pessismos, eles catavam em coro: "juntemos todos na luta final", avivando o espírito com tão belos votos, espalhavam ao vento os desígnios de uma nova era e ao mesmo tempo espantavam o frio de suas juntas. Não era possível não se orgulhar dos fihos e maridos que compunham aqueles rostos, todos tinham em seu corações e mentes apenas um ideal - a segurança de uma família, de um país. "Estamos aqui para quê? Para a rendenção!" A liga que estabelecia aquela conciência de condição tinha muito desta convicção. E a quem miravam quando estas máxiams lhe assomavam à mente? Para o lider da Revolução, que lhes emprestava a razão e tomava de volta seus corpos.
Horas depois, quando a poeira assentava e os tiros não mais eram disparados, múrmurios de dor e embuste podiam ainda ser escutados no campo de extermínio. Ruína, ruína, ruína! Para onde era lançada a vista, o vermelho da neve tingida embaçava-a. A nova ordem tinha gosto acre e apenas excitava o ódio de seus sobreviventes, a vigança seria dirigida a quem? Aos guardas do déspota ou ao líder infiel? Mas onde estava o último? Não mais se podia vê-lo pois, estava sob aquela cetena de corpos mutilados, teria sido ele, o primeiro contaminado com a loucura de seus irmãos...
As fileiras de esperanças avançavam, contra a incerteza e o pessismos, eles catavam em coro: "juntemos todos na luta final", avivando o espírito com tão belos votos, espalhavam ao vento os desígnios de uma nova era e ao mesmo tempo espantavam o frio de suas juntas. Não era possível não se orgulhar dos fihos e maridos que compunham aqueles rostos, todos tinham em seu corações e mentes apenas um ideal - a segurança de uma família, de um país. "Estamos aqui para quê? Para a rendenção!" A liga que estabelecia aquela conciência de condição tinha muito desta convicção. E a quem miravam quando estas máxiams lhe assomavam à mente? Para o lider da Revolução, que lhes emprestava a razão e tomava de volta seus corpos.
Horas depois, quando a poeira assentava e os tiros não mais eram disparados, múrmurios de dor e embuste podiam ainda ser escutados no campo de extermínio. Ruína, ruína, ruína! Para onde era lançada a vista, o vermelho da neve tingida embaçava-a. A nova ordem tinha gosto acre e apenas excitava o ódio de seus sobreviventes, a vigança seria dirigida a quem? Aos guardas do déspota ou ao líder infiel? Mas onde estava o último? Não mais se podia vê-lo pois, estava sob aquela cetena de corpos mutilados, teria sido ele, o primeiro contaminado com a loucura de seus irmãos...
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Estamos esperando o Godot
O que estamos esperando? Cada um de nós, a partir do instante em que a escuridão e a segurança do útero nos é retirada, põem-se numa tediosa e infindável espera. Mas a espera de quê? Questão de difícil trato, quiçá de insondável resposta, mas de um desconforto na língua que a torna premente por resolução. "Estamos esperando o..." e de tanto prorrogar o fim de nossa busca começamos a colocar em dúvida a sua finalidade. "Ele vai vir hoje? Não, mas amanhã concerteza." E a angustiante espera nos faz não sair do lugar, porque não adianta o quanto nos movamos, nos afastamos ou mudamos, estaremos sempre a mercê deste compromisso. Inadiável, inapelável, inevitável ou antes, mera fantasia de alguns vagabundos que vieram antes de nós... "Devíamos ir embora, então. A gente não pode. Por quê? Estamos esperando..."
À alternativa que podemos lançar mão dependerá a nossa salvação ou punição. E quem é que escolheria morrer condenado? Por um acaso a imundície deste mundo de merda pode agradar alguém. Talvez aos que continuram loucos após o parto pertença uma realidade menos dolorida e duradoura. De fato, o tempo passaria igual tanto a uns como aos outros e todos nós estaríamos, de uma forma ou de outra, submetido a esta espera. "A não ser que nos enforcassêmos aqui nesta árvore. Não podemos. Por quê? Estamos esperando. Esperando quem? O Godot. É mesmo!"
À alternativa que podemos lançar mão dependerá a nossa salvação ou punição. E quem é que escolheria morrer condenado? Por um acaso a imundície deste mundo de merda pode agradar alguém. Talvez aos que continuram loucos após o parto pertença uma realidade menos dolorida e duradoura. De fato, o tempo passaria igual tanto a uns como aos outros e todos nós estaríamos, de uma forma ou de outra, submetido a esta espera. "A não ser que nos enforcassêmos aqui nesta árvore. Não podemos. Por quê? Estamos esperando. Esperando quem? O Godot. É mesmo!"
sábado, 19 de dezembro de 2009
À quina do cofre ou à eterna busca
"Influenciado pela carta de Sazonova, vc me escreve sobre "a vida pela vida". Humildemente, agradeço. Pois a carta dela, tão cheia de vida, parece-me mil vezes mais com um túmulo do que a minha. Escrevo que não há metas e vc entende que considero indispensável tais metas e que eu teria muito gosto de sair à procura delas, ao passo que Sazonova escreve que não se deve seduzir o ser humano com vantagens que ele nunca vai receber... "Devemos prezar aquilo que existe" e, segundo a opinião dela, toda a nossa desgraça consiste em sempre buscarmos os fins mais elevados e mais remotos. Se isso não é uma lógica de camponesa ignorante, é uma filosofia do desespero. Quem acha sinceramente que fins elevados e remotos são tão desnecessários ao ser humano quanto são a uma vaca, e que nesses fins está "toda a nossa desgraça", a essa pessoa só resta comer, beber, dormir ou, quando ela estiver farta, tomar um impulso bem forte e bater com a testa contra a quina de um cofre."
Um sorriso de gozo desmoderado faz me refestelar na poltrona quando da leitura das últimas linhas desta carta; não apenas a ironia ácida, mas também o profundo senso acerca do ser fundamentam minha admiração pelas letras deste escritor. Partindo do princípio de que a vida no faz entender a obras, e vice-versa, e de que esta relação dialética é essencial para compreensão do todo não posso deixar de assumir como aprendizado este curto parágrafo que transcrevo, assim como muitos dos outros contos e referências (vide memória do dia 22/11/09) deste que escreve a vida como ela é.
Marcado significativamente na minha carne está o erro de se viver a vida através do prisma sensacional dos sentidos. O vazio da vivência sinestésica só pode ser preenchido através da interpretação, afinal é "impossível abster-se de pensar" e a tradução das experiências humanas produzem a matéria essencial da vida e da filosofia. Então os fins elevados e remotos devem ser divisados no horizonte como um objetivo, digo, para aqueles possuem afã para empreender tal jornada, sim, não obstante existe aquela casta de seres que se permitem subsistir na mediocridade, para estes não tenho nada a dizer. Afinal no alto da nossa pequenice existem mundos ou realidades e afiançar-se a paradigmas limitantes nos obstruem do contato e não é possível suprimir em mim esse querer de saborear todas as coisas.
Turbilhão que pode tomar de qualquer um a segurança e a sanidade, eu admito, para alguns tal caminho seguiu-se a loucura. Mas lançar a vista ao céu e exergar apenas nuvens e estrelas, apesar do espetáculo, pode ser tão pouco para alguns/para mim. O que Sazonova teme é a decadência moral, o caos do mundo civilizado conhecido, a ruína da rotina! Nós ambicionamos a criação - eu pelo menos nunca me contentei com a síndrome de guliver.
Abandonar o lar, as condições primais de conforto e juízo, suicídio ou não me proponho a tal busca ou pelo menos não nego tais quimeras. As eternas questões que alvoroçam o âmago da humanidade não se aquetarão com a simples imobilidade. Afinal como saberemos se não tentarmos? Se puramente nos omitirmos de aludir à questão estaremos realizando um bem contra este ensejo natural que pulsa dentro de cada um de nós? Desgraça é a dúvida e a incerteza!
Não posso me poupar de agradecer a quem me apresentou presente obra, uma das coisas boas suas que ficaram, de sempre referendado escritor.
Um sorriso de gozo desmoderado faz me refestelar na poltrona quando da leitura das últimas linhas desta carta; não apenas a ironia ácida, mas também o profundo senso acerca do ser fundamentam minha admiração pelas letras deste escritor. Partindo do princípio de que a vida no faz entender a obras, e vice-versa, e de que esta relação dialética é essencial para compreensão do todo não posso deixar de assumir como aprendizado este curto parágrafo que transcrevo, assim como muitos dos outros contos e referências (vide memória do dia 22/11/09) deste que escreve a vida como ela é.
Marcado significativamente na minha carne está o erro de se viver a vida através do prisma sensacional dos sentidos. O vazio da vivência sinestésica só pode ser preenchido através da interpretação, afinal é "impossível abster-se de pensar" e a tradução das experiências humanas produzem a matéria essencial da vida e da filosofia. Então os fins elevados e remotos devem ser divisados no horizonte como um objetivo, digo, para aqueles possuem afã para empreender tal jornada, sim, não obstante existe aquela casta de seres que se permitem subsistir na mediocridade, para estes não tenho nada a dizer. Afinal no alto da nossa pequenice existem mundos ou realidades e afiançar-se a paradigmas limitantes nos obstruem do contato e não é possível suprimir em mim esse querer de saborear todas as coisas.
Turbilhão que pode tomar de qualquer um a segurança e a sanidade, eu admito, para alguns tal caminho seguiu-se a loucura. Mas lançar a vista ao céu e exergar apenas nuvens e estrelas, apesar do espetáculo, pode ser tão pouco para alguns/para mim. O que Sazonova teme é a decadência moral, o caos do mundo civilizado conhecido, a ruína da rotina! Nós ambicionamos a criação - eu pelo menos nunca me contentei com a síndrome de guliver.
Abandonar o lar, as condições primais de conforto e juízo, suicídio ou não me proponho a tal busca ou pelo menos não nego tais quimeras. As eternas questões que alvoroçam o âmago da humanidade não se aquetarão com a simples imobilidade. Afinal como saberemos se não tentarmos? Se puramente nos omitirmos de aludir à questão estaremos realizando um bem contra este ensejo natural que pulsa dentro de cada um de nós? Desgraça é a dúvida e a incerteza!
Não posso me poupar de agradecer a quem me apresentou presente obra, uma das coisas boas suas que ficaram, de sempre referendado escritor.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
O mistério que está escrito nos tigres
Absorto em pensamentos triviais - uma atividade dedicada a espera - matutava com meus botões sobre a irrealidade da vida, sobre a intagível totalidade do universo; um quê de medo e resignação guiava meus passos, me pertubava a ineficiência do meu juízo ao mesmo tempo que brevíssimos comichões de alegria provocados pela cordialidade de pessoas anônimas me afastavam do meu embate. Sabe, é nesses remotos pontões donde reina a intemporalidade e seus habitantes estão envoltos em uma empatia coletiva que consigo arrefecer os ânimos de tantas incertezas. Foi aqui, neste canteiro de mundo que me encontrei distante de mim.
Não me foi dada uma grande revelação, não me propus uma jornada de auto-conhecimento e muito menos entrei em estado de meditação monástico. Simplesmente parei por alguns intantes e instei-me a contemplar o todo a minha volta. Será mesmo tão complexo o racicíonio que me leva em um lapso de tempo de um insignificante grão de areia ao vasto universo? Não eram somente devaneios os resultados de minha vigília, apesar de aparentar estar sonhando acordado, me encontrava em completa interação com o espaço; pois meus pés sentiam a terra entre meus dedos e a suave aragem não enfrentava resistência em meus cabelos. Pensava e por hora desse repouso, ativana contra o comportamento humano o dinâmismo da vida, uma continuidade que colocava em causa todas as convicções do ser simplório no qual nos transformamos. Era então, tão importante ser eu naquele instante, naquela realidade? Meu corpo ardia sobre o sol assim como todas as outras criaturas, inertes ou móveis, algumas das quais serviam me de alimento, outras que pereciam sob os anos no solo no qual eu também me assomaria como matéria, como parte desta entidade. Eu deveria ser reflexo de alguém/algo passado do meu tempo, da mesma maneira que este teria sido eu antes de nascer.
Sim, todas essas coisas ocupavam a minha cabeça minutos antes de olhar para o céu e notar o meio caminho já percorrido pela estrela solar dando a hora para me levantar e seguir para o almoço. Então, deixava para trás a vaga idéia que confortaria todos os dias de todos os homens.
Não me foi dada uma grande revelação, não me propus uma jornada de auto-conhecimento e muito menos entrei em estado de meditação monástico. Simplesmente parei por alguns intantes e instei-me a contemplar o todo a minha volta. Será mesmo tão complexo o racicíonio que me leva em um lapso de tempo de um insignificante grão de areia ao vasto universo? Não eram somente devaneios os resultados de minha vigília, apesar de aparentar estar sonhando acordado, me encontrava em completa interação com o espaço; pois meus pés sentiam a terra entre meus dedos e a suave aragem não enfrentava resistência em meus cabelos. Pensava e por hora desse repouso, ativana contra o comportamento humano o dinâmismo da vida, uma continuidade que colocava em causa todas as convicções do ser simplório no qual nos transformamos. Era então, tão importante ser eu naquele instante, naquela realidade? Meu corpo ardia sobre o sol assim como todas as outras criaturas, inertes ou móveis, algumas das quais serviam me de alimento, outras que pereciam sob os anos no solo no qual eu também me assomaria como matéria, como parte desta entidade. Eu deveria ser reflexo de alguém/algo passado do meu tempo, da mesma maneira que este teria sido eu antes de nascer.
Sim, todas essas coisas ocupavam a minha cabeça minutos antes de olhar para o céu e notar o meio caminho já percorrido pela estrela solar dando a hora para me levantar e seguir para o almoço. Então, deixava para trás a vaga idéia que confortaria todos os dias de todos os homens.
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